08 de julho de 2026
Regional

Situação da Funai ainda indefinida

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

A situação da extinta Administração Executiva Regional (AER) de Bauru ainda não foi decidida pela Presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília. Enquanto o futuro da unidade depende de uma reunião prometida para as próximas semanas com as lideranças indígenas da região, o órgão em Bauru fica “engessado” e sem autonomia.

A unidade em Bauru era responsável pela assistência de quase seis mil índios de aldeias de São Paulo e Rio de Janeiro. Só no interior do Estado de São Paulo são cerca de 1,5 mil índios nas regiões de Avaí, Tupã e Braúna, incluindo Itaporanga.

Devido às pressões das lideranças indígenas, a Presidência da Funai em Brasília revogou a criação do Posto e anunciou que abriria a discussão para a criação da Nova Unidade Regional de Bauru.

O anúncio ocorreu na última sexta-feira após cerca de 50 índios de aldeias da reserva de Araraibá, em Avaí, ocuparem a sede da Funai em Bauru e fazerem cinco funcionários reféns por 48 horas. O presidente do órgão, Márcio Augusto Freitas de Meira, se comprometeu marcar uma reunião para discutir o assunto.

Amaury Vieira, administrador da regional, disse ontem que ainda não sabe exatamente como será essa nova unidade em Bauru. No entanto, ele acredita que possa vir a ser um Núcleo de Apoio, ou seja, uma unidade intermediária entre um Posto de Atendimento e uma Administração Executiva Regional.

O Núcleo de Apoio, segundo ele, pode ter autonomia com estrutura orçamentária e financeira suficiente para atender uma área restrita, por exemplo, como o sudoeste paulista.

Assim como as lideranças indígenas, Vieira torce para que seja decidida rapidamente uma solução para o problema. “Não pode ficar com as atividades paralisadas aqui e no litoral também. Aqui foi extinto, nós estamos aberto mas não podemos assinar e fazer documento nenhum porque os atos de autorização e de movimentação de recursos foram revogados”, explica.

Os repasses para os projetos agrícolas, por exemplo, segundo Vieira, além de insuficientes ainda não foram repassados neste ano.

A unidade em Bauru conta com 22 funcionários. Uma parte ficará na nova regional em Itanhaém. Descontente com a situação ocorrida nos últimos dias, Vieira disse que não sabe se vai assumir o cargo de administrador na nova regional. “Eu estou pensando seriamente em pedir a exoneração deste cargo. O que aconteceu aqui neste período de três dias reflete bem a situação de anos”, revela.