08 de julho de 2026
Nacional

Base de Sarney tenta unificar denúncias

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se articulam para reunir em uma única representação as 11 reclamações apresentadas ao Conselho de Ética da Casa contra o peemedebista.

O grupo pró-Sarney avalia que, reunidas em um só processo, as denúncias podem vir a ser relatadas por um aliado do presidente da Casa -o que abre caminho para um possível arquivamento das acusações. Pelo regimento do Senado, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), tem autonomia para sugerir o “apensamento” das reclamações em um único processo.

Ontem o PSOL ingressou com sua segunda representação, que acusa o senador de quebrar o decoro parlamentar, o que pode levar à sua cassação. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e Cristovam Buarque (PDT-DF) também apresentaram outras denúncias.

Segundo o PSOL, Sarney quebrou o decoro porque omitiu um imóvel da sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, usou indevidamente recursos públicos na Fundação José Sarney e mentiu ao prestar informações sobre a relação dele com a entidade. O senador nega todas as irregularidades.

Há cerca de um mês, o partido já havia feito uma representação contra Sarney e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL) na qual acusou os dois de serem os responsáveis pelo uso de atos secretos. Nos últimos 14 anos, 511 medidas não foram publicadas. Parentes de Sarney e correligionários de vários senadores foram contratados e exonerados por atos secretos.

O presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado de Sarney, tem poderes para arquivar as representações logo de início.

Além do PSOL, o PSDB também já representou contra o presidente do Senado. A primeira trata do uso irregular de recursos da Petrobras na Fundação Sarney, a segunda, dos atos secretos, e a terceira do fato de um neto de Sarney ter atuado no mercado de crédito consignado da Casa. O partido seguiu os passos do líder da bancada tucana, Arthur Virgílio (AM), que já havia feito quatro denúncias formais sobre irregularidades contra Sarney.

Ontem Virgílio assinou mais duas denúncias. A primeira refere-se ao fato de Sarney não ter pago impostos ao negociar terras no Estado de Goiás. A segunda é sobre o acesso a informações da Polícia Federal por meio de servidor que está cedido a ele. Como é denúncia individual e não representação partidária, o trâmite no Conselho de Ética é mais lento e ela pode gerar punição mais branda.

Ontem, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), foi avisado por Renan de que o PMDB quer processar Virgílio por quebra de decoro. O líder tucano é acusado de pagar salário de R$ 10 mil mensais a um servidor que mora no exterior e que nem trabalhava, e de receber um empréstimo de US$ 10 mil do ex-diretor do Senado Agaciel Maia para pagar suas contas de viagem na França.

“Disse a Renan que era uma insensatez, que ninguém ganha nada com isso”, declarou Guerra: “O que está em jogo são erros cometidos por Sarney”.