Eu e o Marcos, do Sesc, fomos pescar no rio São Lourenço, próximo a Itápolis. Como “professor”, estava ministrando a ele, na teoria e na prática, a difícil pesca de lambaris e piavas.
O Marcos, como bom aluno, aprendeu logo como escolher a vara certa, a linha ideal e a melhor chumbada e o anzol adequado. Ainda não lhe contei todos os segredos, o “curso” tem várias etapas.
Eu tinha um local preferido para pescar no referido rio: um demarco com uma árvore caída no rio. Como o barranco tinha dois metros de altura o Toninho, dono do sítio, fez uma escadinha na terra para acesso.
Pescava-se muitos tambius. De repente, vejo uma cobra enorme, com dois metros de comprimento e três polegadas de diâmetro descendo a escada em minha direção. O que fazer? Não tinha como escapar. O único acesso era a “escadinha”.
Pular, nem pensar e cair no rio. A cobra veio e passou por baixo de minhas pernas e alojou-se em uma moita a menos de um metro de distância.
Passada a tremedeira, fui até o rancho e chamei o Toninho para com um facão matar a cobra.
O Toninho: -“Meu Deus do ceú, não faça isso. É uma sussuarana, cobra que mata as outras.”
Tudo bem. Mas não voltei mais para o rio. Pelo sim, pelo não, fiquei no rancho.
Cirso Mendes Silveira é pescador e contador de histórias.