A vendedora de uma loja situada na quadra 5 da rua 1º de Agosto, no Centro de Bauru, levou para a delegacia ontem pela manhã um cliente acusado de ofendê-la de forma racista. Ao tentar negar a informação à reportagem, aparentemente sem perceber, o homem de 59 anos utilizou expressão de mesmo teor.
Segundo a vítima de 23 anos, que é afrodescendente, o primeiro comentário preconceituoso foi feito anteontem à tarde, quando ela trabalhava na loja com degustação de café. “Ele falou que não tomava café porque era preto e não gostava de gente preta”, conta a moça. Ainda segundo a vendedora, o cliente também teria dito que no escuro ela não apareceria e se passaria por monstro. Apesar de incomodada, ela nada fez com o cliente, que voltou ontem pela manhã ao estabelecimento.
“Eu o reconheci e não fui atendê-lo. Mas ele passou por mim e falou: sua macaquinha você não vai vender aquela porcaria de novo?”, relembra a vítima. Desta vez, no entanto, um colega dela ouviu e por pouco não partiu contra o cliente. Ela mesma impediu que isso acontecesse. Mas, sob orientação do filho do proprietário do negócio, o homem foi mantido no local até a Polícia Militar chegar. De lá, os policiais conduziram as partes ao plantão da Polícia Civil, onde a ocorrência foi registrada como injúria. O histórico relata parte das ofensas feitas ontem.
Questionado pela reportagem, o suspeito negou a conduta racista. “Só falei que não tomo café porque tenho medo do que é preto”, informa. Acrescentou o fato de muita gente usar palavras de baixo calão para referir-se aos outros, sem qualquer problema. Para evitar constrangimentos à vítima, os nomes das partes não foram divulgados.