08 de julho de 2026
Geral

Amamentação depende só da sensibilização das mães

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Amamentar o filho pelo menos nos seis primeiros meses da vida dele, que era para ser um ato natural a toda mãe, atualmente precisa de estímulo. O mundo moderno, que oferece leite industrializado para várias especificações, aliado à atuação da mulher no mercado de trabalho, que a distancia de casa, levou a uma redução no aleitamento materno. Por isso, há cerca de 30 anos foi criada uma política pública que incentiva a mãe a amamentar o filho. Em Bauru, a campanha anual começa hoje e vai até o dia 7.

A Semana de Amamentação ressalta a importância do aleitamento materno nos seis primeiros meses de vida da criança e dá orientações às gestantes e mães. Segundo a nutricionista e coordenadora do Banco de Leite, entidade que promove a campanha, Maria Nereida Panichi, a amamentação de qualidade e a produção do leite é mais fácil quando as mães têm informações sobre os benefícios que a prática trás para ela e para os seus bebês. É fundamental o apoio dos familiares, dos amigos, de uma equipe de saúde e do ambiente de trabalho. É exatamente pela dificuldade que muitas mães têm de amamentar e para atender recém-nascidos internados que existe o Banco de Leite Humano. O órgão atua em três frentes: na coleta de leite em mulheres que estão dentro das características de doadora e tem leite sobrando; com orientação por meio de visitas a maternidades, cursos de capacitação e orientação; e com serviço ambulatorial, que atende mães com dificuldades no aleitamento.

No setor de doação, o banco recebe, em média, doação de 100 a 120 litros por mês. Geralmente, a mãe atua como doadora no período de dois meses. “Esta quantidade que recebemos por mês é suficiente para atender nossa demanda. Acredito que este é o melhor presente que poderíamos receber no jubileu de prata. Isso mostra que sempre temos novas doadoras fazendo parte do nosso banco, já que em média uma mulher doa leite por cerca de dois meses, o que significa que nosso trabalho é reconhecido”, afirma Maria.

Exemplo

Segundo a nutricionista, estar preparada é a chave para ações apropriadas. Por isso, as mães necessitam estar em segurança, alimentar-se bem, ingerir bastante água e ter lugar protegido para amamentar. Mãe de Ana Beatriz, de 11 meses, Márcia Cristina Magalhães Madureira pode ser tomada como um bom exemplo a ser seguido.

Ela conta que aprendeu amamentar com as enfermeiras da maternidade. “Sempre quis amamentar e as enfermeiras ficaram ao meu lado durante todo o tempo em que eu tinha dúvida e dificuldade. Enquanto a Ana Beatriz não conseguia pegar o peito direito e eu ainda tinha dúvidas, elas não saíram do meu lado e isso foi muito importante”, revela a mãe de ‘primeira viagem’.

Márcia conta que a preocupação e a maior dúvida com o aleitamento surgiu aos 6 meses da filha. Na hora da amamentar, às 18h, o leite que tinha não era suficiente para matar a fome da pequena Ana Beatriz. “ Procurei o Banco de Leite e eles me informaram que isso era normal, já que neste horário estava cansada. Fui orientada a descansar meia hora antes de amamentar e resolveu o problema”, relata.

No dia 1 de setembro, Ana Beatriz completará 1 ano e como Márcia trabalha, já estuda uma creche para colocar a filha. Será necessário fazer o desmame. Por isso, ela já começou a substituir o leite materno pela mamadeira. “Este novo processo de adaptação está difícil, mas vai ser pior quando parar de amamentar. Para mim, sempre foi um prazer”.

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Cultura do leite em pó prejudica aleitamento

De acordo com a nutricionista e coordenadora do Banco de Leite, Maria Nereida Panichi, entre as décadas de 1950 e 1980 houve um movimento histórico de desmame com foco comercial. “Isso aconteceu porque fabricantes inseriram no mercado o leite em pó. Na ocasião, o que importava era o lucro e não a qualidade”, revela. “Neste período, as mulheres não foram orientadas ou apoiadas a amamentar, o que gerou a cultura do desmame, mesmo em bebês recém-nascidos.”

O resultado foi o aumento da morbimortalidade infantil. Na década de 80, foram criadas políticas públicas para reverter o quadro. O leite materno é o alimento mais complexo que existe para o bebê até o sexto mês, além de ser mais fácil de digerir e não sobrecarregar o intestino e os rins do bebê.

A amamentação é recomendada até os 2 anos. Depois, mãe e bebê devem decidir se continuam. Para ser uma doadora de leite, a mulher precisa estar saudável, ter excesso de leite e não usar medicamentos que impeçam a doação. Em Bauru, grande parte das doadoras tem entre 20 e 30 anos. “Isso não significa que mulheres com menos de 20 anos e mais de 30 anos não possam doar”, conta.