A uma semana da vigência da lei antifumo, uma espécie de ‘bafômetro do cigarro’ (monoxímetro) já está à disposição em Bauru de uma equipe da Vigilância Sanitária, ligada à Secretaria de Estado da Saúde. Ela é responsável por blitze em estabelecimentos como bares e restaurantes. O aparelho, que mede a quantidade de monóxido de carbono circulando na corrente sangüínea de fumantes e não-fumantes, foi testado ontem. Numa churrascaria de Bauru, por exemplo, dois dependentes de tabaco se dispuseram a utilizá-lo.
Um deles foi o comerciante Armando Lanezi, 50 anos. Ele fuma dois maços e meio por dia. “É bom saber a medida do perigo”, disse à reportagem. O teste dele deu 3,2 ppm (partículas por milhão) de monóxido de carbono, índice compatível com um fumante freqüente. No caso de um não-fumante, normalmente o resultado não passa de 1,1 ppm.
“Mas só de fazer bltize, já chegou a quase 3 ppm”, comenta Marilza de Fátima Leopoldino da Silva, diretora técnica de divisão de saúde substituta do Grupo de Vigilância Sanitária 15 de Bauru, ao referir-se aos testes feitos quanto ela própria soprou o aparelho.
Não fumante, Marilza explica que o percentual sobe durante as blitze por conta da inalação de fumaça, como ocorre com todos os outros fumantes passivos. De acordo com ela, o aparelho será fundamental numa pesquisa que apontará o nível de monóxido de carbono circulando também após a vigência da lei antifumo. As medições pretendem comparar os índices obtidos agora com os de fevereiro do próximo ano, quando a campanha será encerrada.
A idéia é que o ‘bafômetro do cigarro’ seja utilizado pelas quatro equipes responsáveis pelas bltize em Bauru. Duas são ligadas à Secretaria Municipal da Saúde e duas ao Estado. Por enquanto, apenas uma equipe estadual dispõe do monoxímetro.
Com o tempo, ele será utilizado inclusive nas fiscalizações de rotina. Até a próxima quinta-feira, as blitze ainda terão caráter educativo. Na sexta-feira, quando a lei começa a valer, serão multados os estabelecimentos que mantiverem cinzeiros ou não colocarem cartazes informativos sobre a proibição do uso de tabaco. O desrespeito resultará numa multa de aproximadamente R$ 790,00. Segundo Marilza, o valor dobra na reincidência. No terceiro flagrante, o negócio será fechado por 48 horas. Da quarta vez, por 30 dias.
Se persistir na reincidência, pode até ter o funcionamento encerrado. “O objetivo não é autuar, mas conscientizar a população dos benefícios de um ambiente livre do tabaco”, comenta a diretora técnica. De acordo com ela, 99% dos estabelecimentos visitados já tomaram as providências necessárias. Muitas empresas, inclusive, têm solicitado palestras e orientações.
Como funciona
O ‘bafômetro do cigarro’ (monoxímetro) é um aparelho de fácil manejo que permite apurar a concentração de monóxido de carbono por meio da expiração no bocal descartável de uso único. A expiração é feita após o usuário reter o ar por cerca de 15 segundos - uma espécie de apnéia forçada. A concentração é medida após a expiração e aparece imediatamente no visor.
Pode
A Secretaria da Saúde ressalta, porém, que a nova lei restringe, mas não proíbe o ato de fumar. O cigarro continua autorizado dentro das residências, das vias públicas e em locais ao ar livre. Estádios de futebol também estão liberados, assim como quartos de hotéis e pousadas, desde que estejam ocupados por hóspedes.
Em todos os casos, a responsabilidade por garantir os ambientes livres de tabaco será de proprietários e responsáveis pelos estabelecimentos. Os fumantes não serão alvo da fiscalização. Para evitar sanções, os responsáveis pelos estabelecimentos devem tomar medidas práticas para manter os ambientes livres de tabaco.
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Dicas para quem quer parar de fumar
O mais importante é marcar uma data para que seja seu primeiro dia de ex-fumante. O organismo volta a funcionar normalmente sem a presença de substâncias tóxicas. Alguns fumantes podem apresentar sintomas de abstinência, como vontade intensa de fumar, dor de cabeça, tonteira, irritabilidade, alteração do sono, tosse, indisposição gástrica e outros. Esses sintomas, quando se manifestam, duram de uma a duas semanas.
A recaída não é um fracasso, informa o Instituto Nacional do Câncer. Comece tudo novamente e procure ficar mais atento ao que o fez voltar a fumar. A maioria dos fumantes que deixaram de fumar fez em média três a quatro tentativas até parar definitivamente. Se a fome aumentar, não se assuste, é normal um ganho de peso de até dois quilos. O paladar melhora e o metabolismo se normaliza. De qualquer forma, procure não comer mais do que de costume. Evite doces e alimentos gordurosos. Mantenha uma dieta equilibrada com alimentos de baixa caloria. Evite café e bebidas alcoólicas. Eles podem ser um convite ao cigarro.
Nos momentos de stress procure se acalmar e entender que momentos difíceis sempre vão ocorrer e fumar não vai resolver seus problemas. A vontade de fumar não dura mais que alguns minutos. Nesses momentos, para ajudar, você poderá chupar gelo, escovar os dentes a toda hora, beber água gelada ou comer uma fruta. Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou manuseie objetos pequenos. Não fique parado - converse com um amigo, faça algo diferente que distraia sua atenção. Exercícios de relaxamento são um ótimo recurso saudável para relaxar.
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Dia 7 entra em vigor
Na próxima sexta-feira, dia 7 de agosto, entra em vigor a lei antifumo no Estado de São Paulo. A partir de então, fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas, escolas e boates. A nova lei acaba, inclusive, com os ‘fumódromos’ em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes. Defende, portanto, ambientes 100% livres do tabaco.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo segue assim uma tendência internacional de restrição ao tabagismo que vem na esteira de inúmeros estudos que comprovam os males provocados pelo cigarro a fumantes e não fumantes. A lei, no entanto, mira fundamentalmente a proteção da saúde dos fumantes passivos, informa o órgão de comunicação.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o fumo passivo é a terceira maior causa de mortes evitáveis no mundo. À frente dele, apenas o alcoolismo e, claro, o próprio tabagismo. Pelo menos 200 mil trabalhadores morrem todos os anos por essa razão. São garçons, funcionários de casas noturnas, entre outros profissionais, que se vêem obrigados a respirar durante horas, todos os dias, a fumaça exalada do cigarro dos outros. Até as crianças estarão mais protegidas, além dos próprios fumantes.