10 de julho de 2026
Nacional

Oposição diz que Lula ‘abandonou’ Sarney para se preservar

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A oposição reagiu ontem à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise no Senado não é um problema seu. Líderes oposicionistas afirmaram que Lula, ao recuar na defesa do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), agiu politicamente para evitar colar sua imagem ao peemedebista em ano pré-eleitoral.

“É do estilo dele. Resolveu ficar com a sua popularidade e largou o homem ao mar. Agora o Sarney está com a tropa de choque que absolveu o senador Renan Calheiros (ex-presidente do Senado)”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que Lula tem como característica “abandonar’’ seus aliados quando percebe que estão perto de “naufragar” em crises políticas. “Isso parece a cena de um quadro daquele programa de TV “Acredite Se Quiser”. Depois da solidariedade que ele deu ao Sarney, ele fala isso agora? O Lula tem um sentido de autopreservação”, disse.

Na opinião do democrata, Lula já “abandonou” ex-companheiros como Antônio Palocci (ex-ministro da Fazenda) e Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil) - e agora faz o mesmo com Sarney. “Na hora em que essas pessoas passaram a prejudicá-lo, ele as defenestrou”, disse Agripino.

Para o senador Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, Lula agiu com vistas às eleições de 2010 para mudar o discurso sobre Sarney. “O presidente Lula, orientado por pesquisas de opinião pública, recua e diz que crise é problema do Senado. Ele interferiu indevidamente, agora cede”, disse.

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o presidente Lula “liberou a bancada” dos senadores do PT para pedir a licença de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado ao dizer, anteontem, que “quem tem de decidir se o presidente Sarney tem de ficar na presidência do Senado é o Senado”, e não ele. “A razão que poderia levar alguns senadores do PT a defender Sarney era que o próprio presidente Lula fizesse isso. Com essa declaração, ele liberou os senadores do PT a se alinharem aos que pedem, pelo menos, a licença do presidente Sarney”, avaliou o senador pedetista.

Apesar da orientação do presidente Lula para que o PT não endossasse o coro de senadores que pedem a licença de Sarney do comando do Senado, o líder do partido, Aloizio Mercadante (SP), defendeu, por duas vezes, em notas divulgadas à imprensa, que a crise só seria arrefecida se o peemedebista se afastasse da presidência. O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, chegou a desautorizar Mercadante, na semana passada, após reunião de coordenação política, dizendo que a nota assinada pelo líder petista refletia a posição de “um ou dois senadores”, e não de toda a bancada.

Anteontem, entretanto, o presidente Lula, que por diversas vezes havia defendido Sarney publicamente, mudou o tom e disse que não poderia ser responsabilizado pela crise no Senado. “Não votei em Sarney para senador”, disse o presidente.

O senador Cristovam Buarque acredita que a mudança de discurso do presidente Lula e as 11 ações contra o presidente do Senado no Conselho de Ética, a maioria delas apresentada durante o recesso parlamentar, são sinais de que a possível saída de Sarney da presidência da Casa está próxima.