09 de julho de 2026
Geral

Versão aponta ‘avanço no relógio’ para ganhar decisão

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Existe uma segunda versão para a aprovação da proposta que tornou Bauru sede de município em 1896. Porém, não há praticamente nenhum documento que a comprove.

Segundo relato de pessoas que estudam e acompanham a história de Bauru, antes da sessão da Câmara do dia 7 de janeiro de 1896, em Espírito Santo da Fortaleza, parte dos vereadores recém-eleitos, todos de Bauru, diga-se, teria decidido adiantar o relógio em meia hora.

Assim, eles iniciariam a sessão antes do horário habitual. Era uma forma de iniciar os trabalhos sem a presença do presidente cessante, José Theodoro Petente, que era de Fortaleza e contrário à posse dos novos vereadores (por causa de uma suposta irregularidade nas eleições) e, mais ainda, contra a transferência da sede de município para o então distrito de Bauru.

O memorialista Gabriel Ruiz Pelegrina conta que naquela época era comum os relógios marcarem horas diferentes porque não havia televisão nem rádio para fornecer a hora certa a todo instante. Segundo Gabriel, na época de ouro da ferrovia, quando os trens partiam da estação no horário exato, sem atrasos, muitos moradores acertavam seus relógios quando o trem apitava.

Então, os vereadores teriam se aproveitado dessa falta de atualização dos relógios de Fortaleza para declarar aberta a sessão do dia 7 de janeiro, sob a presidência de Domiciano Silva, morador do distrito de Bauru e vice-presidente da Câmara, portanto substituto natural do presidente, em caso de ausência deste.

Um dos poucos registros sobre esse fato está na dissertação de mestrado da professora aposentada Lúcia Helena Ferraz Sant’Agostino, “Bauru, Chão de Passagem: Entreposto de valores na rota Atlântico – Pacífico”. Ela transcreve no trabalho trecho da versão apresentada pelo próprio Domiciano. “Às onze e meia, os vereadores de Bauru, cujos relógios marcavam doze horas, entraram no recinto da Câmara.”

Joaquim Alves Ferreira, um dos vereadores eleitos, que se achava no recinto, estranhou a abertura dos trabalhos. Puxando seu relógio, viu que o mesmo marcava 11h30 e disse que ainda não estava na hora e o presidente nem estava no local. “Insistimos, procurando convencê-lo de que o relógio estava errado, mas ele não se convenceu e deixou o recinto”, relatou Domiciano.

Sem o presidente efetivo do Legislativo para atrapalhar, os vereadores recém-eleitos foram empossados e aprovou-se a indicação de João Antônio Gonçalves para transferir a sede do município de Fortaleza para Bauru. Quando o presidente chegou nada pôde fazer, a não ser protestar formalmente contra “os abusos e ilegalidade praticada pelos novos vereadores”.

Segundo Lúcia Helena, o plano ardiloso ficou conhecido como a “tomada de Fortaleza”.