10 de julho de 2026
Internacional

Polícia da Malásia prende centenas de pessoas durante manifestação


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Kuala Lumpur - A polícia da Malásia usou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar milhares de manifestantes ontem, prendendo centenas de pessoas no maior protesto registrado na capital do país, Kuala Lumpur, em quase dois anos.

Mais de 10 mil manifestantes, comandados pelo líder da oposição, Anwar Ibrahim, se reuniram para exigir que o governo retire a lei que permite prisão sem julgamento, uma medida que foi usada no passado contra os oposicionistas.

“Nos reunimos hoje para luta contra uma lei cruel de uma administração cruel”, disse Anwar à multidão.

A polícia também montou bloqueios nas ruas da cidade, causando muitos congestionamentos. O chefe de polícia de Kuala Lumpur, Muhamad Sabtu Osman, disse que 589 pessoas foram presas.

A maioria dos manifestantes se reuniu na mesquita nacional, aos gritos de “Allahu Akhbar” (“Deus é o maior”) e “Abaixo o governo”. Muitas lojas fecharam as portas enquanto helicópteros da polícia monitoravam o ato.

Autoridades do governo haviam alertado que não permitiriam o protesto, alegando que ele poderia comprometer a paz pública. Ativistas de direitos humanos têm feito pequenos protestos há anos contra o ato de segurança, mas o evento de hoje ganhou força depois que os partidos de oposição pedirem a seus apoiadores que participassem.

O ministro de assuntos jurídicos, Nazri Aziz, insiste que o governo não deve ceder às demandas dos manifestantes, alegando que a lei é vital para garantir a segurança nacional.

Os ativistas de oposição “estão apenas sonhando durante o dia, porque o ato não será abolido”, Nazri disse, segundo a agência de notícias oficial Bernama.

Grupos de direitos humanos dizem que ao menos 17 pessoas são mantidas em prisões sob o ato de segurança, principalmente por supostas ligações com militantes e falsificação de documento.

O protesto foi o maior realizado em Kuala Lumpur desde novembro de 2007, quando dezenas de milhares de pessoas da minoria étnica indiana pediu igualdade racial. Os manifestantes presos ontem podem ser acusados de reunião ilegal, e podem ser punidos com um ano de detenção e uma multa.