08 de julho de 2026
Bairros

Lideranças comunitárias se mobilizam

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Lutar por melhorias nos bairros. Esta é uma das atribuições de uma associação de moradores constituída, mas não é - e não pode ser - a única. O histórico desses movimentos populares mostra que uma associação desse tipo pode fazer muito mais pelo bairro. A integração entre os moradores do local por meio de reuniões e eventos festivos pode ser promovida por uma associação.

No Núcleo Habitacional Octávio Rasi, a associação dos moradores ganhou a confiança de quem vive local promovendo a integração entre eles. Todo ano, no mês de aniversário da entrega do núcleo, os moradores se reúnem para comemorar a data com muita música e atividades de entretenimento.

Além de promover a integração entre os moradores, a associação do bairro convida entidades que atuam no bairro para participar com a montagem de barracas para comercializar comida e bebida, e assim, levantar fundos para as obras sociais realizadas por essas entidades.

Marilene Rodrigues Moço, presidente da Associação de Moradores do Occtávio Rasi (A.M.O.R), afirma que desde que a festa passou a ser a realizada, há seis anos, notou uma mudança no comportamento dos moradores em relação às coisas do núcleo.

Ela explica que a associação encabeçou junto aos moradores a reforma total do Centro Comunitário do núcleo, e que agora luta para que o município leve para o local escolas esportivas e culturais para a participação dos moradores do núcleo. “Cumprimos o nosso papel, e esperamos que agora haja um melhor aproveitamento dessa área de lazer”, sugere.

Em outro local da cidade, no Parque Jaraguá, existem duas associações de moradores e uma terceira entidade que também trabalha junto aos interesses do bairro. Waldomiro Neres Fonseca, presidente de uma dessas associações, conta que participou da reunião promovida pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear) e pela Comissão de Assuntos Comunitários da OAB/Bauru no mês passado.

Fonseca conta que tem alguns projetos baseados nas necessidades do bairro, mas que ainda não apresentou para a administração municipal porque a entidade, oficialmente, está irregular. “Vamos em busca da regularização. Estamos conversamos com as outras associações para formar uma só entidade e convocar novas eleições”, avisa.

Projetos

Entre os projetos está a construção de uma praça de lazer e de um centro esportivo. “O Jaraguá é bastante novo e o asfalto aqui não apresenta problemas como em boa parte da cidade, mas temos algumas quadras que nunca receberam o revestimento (asfáltico), e quem mora nessas ruas reclama muito - e com toda razão - por causa disso”, ressalta.

De acordo com Fonseca, as ruas têm toda a infra-estrutura básica instalada, com guias, sarjetas e galerias de águas pluviais. Falta apenas a chegada do asfalto para que cada morador possa providenciar a sua calçada. A reivindicação dos moradores é tão antiga, que as seis quadras ainda sem asfalto no Jaraguá estão tomadas pelo mato.

A Associação de Moradores e Amigos do Parque Santa Terezinha vai fazer eleição, no próximo dia 16, para renovar a diretoria executiva da entidade. Outras associações que estão regulares também já fizeram isso, como o Parque Santa Edwirges ou a Vila Industrial, e outras devem, até o final do ano, convocar novas eleições.

Recentemente, Fernando Redondo, líder comunitário do Parque União, bairro que teve a primeira associação de moradores da cidade em 1969, disse acreditar que a iniciativa de revitalizar as associações pela cidade é uma forma de resgatar o trabalho realizado nas décadas de 70 e 80, em que as lideranças comunitárias tinham como foco principal a coletividade.

Em geral, as reivindicações dos bairros são parecidas. A recuperação ou colocação de asfalto nos bairros é quase unanimidade. A melhora no atendimento da saúde e na segurança, além da implantação de projetos esportivos e sociais, também integra a lista dos “sonhos” dos líderes comunitários.

A Associação de Moradores do Núcleo Gasparini também tem problemas com a sua documentação, segundo a presidente Maria Aparecida Rodrigues dos Santos. Ela pretende regularizar a situação e convocar novas eleições. De acordo com a líder comunitária, as reivindicações do bairro são simples, mas mesmo assim, existe uma dificuldade no atendimento.

“Queremos a limpeza dos terrenos existentes no núcleo e a melhora no atendimento da saúde para os moradores”, explica. À frente da associação há algum tempo, Santos relata que gostaria que novos líderes surgissem no núcleo.