Filipinas - Milhares de pessoas formam longas filas para prestar uma última homenagem, ontem, à ex-presidente das Filipinas, Corazón Aquino, que morreu no anteontem (sexta-feira, no horário de Brasília) após mais de um ano de luta contra um câncer de cólon. O caixão da ex-líder, velado no ginásio do colégio católico De La Salle Greenhills, começou a ser visitado pelo público na noite de sábado, apesar das intensas chuvas de caem sobre a capital filipina, Manila.
Segundo a mídia local, o grande número de pessoas fez com que os guardas de segurança criassem grupos, o que contribuiu também para o aumento da espera. Jose Olazo levou seu neto de um ano de idade, com uma bandana amarela na cabeça, ao colégio. A cor foi o símbolo do movimento liderado pela ex-presidente que forçou a retirada do presidente Ferdinand Marcos do poder e seu exílio nos EUA.
Olazo, um operário e ativista da democracia, chorou diante do caixão de Aquino - vestida de amarelo e com um rosário nas mãos. Silenciosamente, ele jurou continuar protegendo a democracia que ela ajudou a implantar após décadas de ditadura brutal.
O corpo de Corazón Aquino será levado hoje, em uma comitiva que passará por vários bairros da cidade até a Catedral de Manila, em Intramuros.
O caixão permanecerá na catedral até quarta-feira, quando será levado para o cemitério Manila Memorial Park, para ser enterrado no mausoléu familiar, ao lado de seu marido, Benigno Aquino.
A presidente do país, Gloria Macapagal Arroyo – que decretou dez dias de luto nacional pela morte de Aquino - decidiu encurtar uma visita oficial aos EUA.
O papa Bento XVI expressou suas condolências à família de Aquino e ao governo filipino, lembrando seu “corajoso compromisso com a liberdade do povo filipino, sua firme rejeição à violência e à intolerância”, segundo o arcebispo de Manila, o cardeal Gaudencio Rosales.
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o presidente Barack Obama estava profundamente entristecido com a morte da ex-presidente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma mensagem à presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, em que diz que Aquino “é identificada na memória dos brasileiros como líder histórica não apenas de seu país, mas de todos que, em qualquer lugar, defendem os valores democráticos”.
Corazón Aquino (carinhosamente chamada de “Cory”) se tornou a primeira mulher filipina a ocupar a chefia de Estado em 1986, após a revolta popular pacífica que derrubou a chamada “ditadura conjugal” de Ferdinand e Imelda Marcos.