Andar de ônibus circular em Bauru fica 8% mais caro a partir de hoje. O passageiro desembolsará R$ 2,15 ao invês de R$ 2,00 na passagem básica paga com dinheiro. A tarifa integrada - com cartão - aumenta de R$ 2,25 para R$ 2,46 (leia mais no texto abaixo). Ontem, a expectativa dos passageiros era de um possível atraso de linhas em que o motorista atua também como cobrador. A questão levantada é que, quem paga com dinheiro, nem sempre tem os R$ 0,05 para facilitar o pagamento do valor exato de R$ 2,15 da passagem. Neste caso, o motorista terá que “se virar” para devolver o troco, o que deixa o carro parado.
O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Rubens Ribeiro Barros Filho, o Rubito, garantiu ontem que a autarquia irá monitorar para que não ocorra atraso das linhas. Ele explica que não sabe como as empresas concessionárias do transporte público de Bauru vão se organizar para garantir o troco aos usuários. Rubito acrescenta que as firmas “devem ter se preparado satisfatoriamente”.
Os usuários reclamaram ontem que o índice de reajuste da tarifa de ônibus foi alto. Rubito argumenta que foram feitos todos os esforços para definir o menor valor de reajuste.
“Porque nós não queremos onerar mais o cidadão. O País se encontra em um estado de dificuldade muito grande. A gente espera que o País retome o crescimento. Por isso, a empresa pública sempre estará pensando pelo lado da menor tarifa”, justifica o presidente da Emdurb.
A avaliação do auxiliar de enfermagem José Carlos Alves, 41 anos, difere do pensamento de Rubito. “Eles (Prefeitura de Bauru) dizem que é para fazer as coisas na cidade”, destaca Alves, inconformado com o aumento. Ele argumenta que o orçamento familiar mudará com o custo maior da passagem de circular. Segundo ele, a passagem de ônibus consome R$ 250,00 mensais de sua família. Alves tem dois filhos que estudam e dependem do transporte público. Para ele, a solução para absorver o impacto do reajuste nas contas será os cortes. “A gente tira uma coisa daqui, outra dali. Tem que fazer remanejamento do orçamento”, ensina.
Um corte já está definido pelo usuário de coletivo. Alves explica que serão diminuídas as atividades de lazer que demandem gasto com ônibus.
A estudante do ensino médio Jéssica Cristina Custódio Ferreira, 17 anos, fez as contas e já prevê aumento de gastos com passeios para lazer e entretenimento devido ao reajuste da passagem de ônibus. Ela trabalha e tem 6% do valor do transporte público descontado em folha de pagamento. Jéssica comenta que o reajuste penaliza as famílias em que os filhos dependem de ônibus para ir à escola.
Cartão
O JC divulgou recentemente que, atualmente, cerca de 72% dos giros das catracas dos ônibus coletivos são efetuados com cartão magnético, incluindo as viagens integradas. A informação foi obtida junto à assessoria de imprensa da Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb). Até agosto do ano passado, quando ainda não havia diferenciação de tarifa para quem pagava em dinheiro, esse índice era de 63%.
Lançado como medida para eliminar o manuseio de cédulas e moedas dentro dos ônibus, os cartões agilizam o trabalho dos motoristas - que atualmente também desempenham a função de cobradores -, evitando perda de tempo com a devolução de troco. Usuários interessados em obter cartões cadastrados, que viabilizam a integração de viagens, devem se dirigir a um dos dez pontos de atendimento da Transurb munidos de CIC e RG.
Novos valores O reajuste na tarifa de ônibus circular foi definido pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e publicado no Diário Oficial do Município (DOM) no dia 4 de julho. Com o aumento de 8%, a tarifa integrada de R$ 2,25 passa para R$ 2,46 para pagamento com cartão pré-carregado. O passageiro que paga com dinheiro desembolsava R$ 2,00 pela tarifa, que subiu para R$ 2,15 com o aumento. Para os estudantes menores de 18 anos matriculados em cursos regulares e que utilizam o cartão de estudante, a tarifa básica foi reajustada de R$ 1,38 para R$ 1,50 e a integrada, de R$ 1,68 para R$ 1,84. Estudantes de 1º e 2º graus e ensino superior menores de 18 anos, de acordo com o artigo 32 da Lei 4.035, de 11 de março de 1996, têm redução tarifária de 25%.