Sugiro ao vereador Segalla que inclua nas discussões sobre a iluminação pública um tema que já está sendo tratado fora do país e até em algumas cidades brasileiras. Trata-se da Poluição Luminosa, que nada mais é que a luz artificial mal direcionada. Uma iluminação feita com lâmpadas erradas e luminárias não adequadas (esses globos sem anteparo na parte superior, por exemplo), além de desperdício de energia, polui a atmosfera com luminosidade excessiva para cima, ofuscando a bela visão do céu noturno, o que significa dizer, interferindo na natureza.
Além disso, da mesma forma que é Poluição Sonora um som emanado da área de um cidadão, ser ouvido involuntariamente por outrem em sua área particular; um holofote do quintal de alguém que ilumine mais a janela de seu vizinho que sua própria casa, interferindo no direito dele de escolher a luminosidade que queira ter em sua área particular, também pode ser caracterizada como Poluição Luminosa. Creio que além de engenheiros eletricistas, técnicos de iluminação e até fabricantes de luminárias devem ser convidados também para o debate, os profissionais do observatório astronômico da Unesp, e os astrônomos amadores, que com certeza conhecem bem os malefícios da dita poluição. E que as conclusões tiradas, de qual a melhor maneira de se iluminar apenas o espaço que se queira iluminar, formem um conjunto de Normas Técnicas que sirvam de base para uma lei municipal que regulamente também a iluminação emanada das ruas e de prédios públicos e particulares. Se isso não for planejado já, vai ter que ser resolvido no futuro. Então é melhor aproveitar a oportunidade.
Carlos Moratelli