A superintendência do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) apresentou ontem para parceiros, representantes de entidades que atuam na área de reabilitação de deficiências e prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) avaliação de que o novo Hospital do Centrinho não comporta modificações estruturais para incorporar a instalação do Instituto Lucy Montoro em dois dos 10 pavimentos em instalação, como defende o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e a Secretaria Estadual do Deficiente.
Para o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas (Tio Gastão), além dos programas desenvolvidos pelo instituto não serem da mesma área de abrangência dos projetos já concebidos, há alguns anos, para o Centrinho, as ações no setor pelo poder público deveriam levar em conta o que já é executado por entidades como a Apae, Sorri e Instituto Lauro de Souza Lima.
“Por que a necessidade da implantação da rede Lucy Montoro de Reabilitação se esse programa está sendo desenvolvido com qualidade e competência pela Sorri, Apae e Instituto Lauro de Souza Lima, todos em Bauru? A solução para o aumento da demanda seria lógica e de resultados imediatos com o fortalecimento dessas instituições, inclusive com a liberação de recursos para sua ampliação, modernização de equipamentos e manutenção funcional e administrativa”, posiciona Gastão.
Segundo o dirigente do HRAC, não há posição corporativa contrária de profissionais odontólogos ligados ao Centrinho em relação à possibilidade dos serviços a serem instalados no novo hospital, em construção pelo Estado, terem de incorporar também segmento de médicos especializados em reabilitação, caso a rede Lucy Montoro viesse para mudar a distribuição interna de funcionamento. “Não somos corporativistas, somos aliados de parceiros diversos nessa área e nosso perfil é o de fortalecer o que já existe e não de instalar outro serviço no mesmo segmento, como ocorreria com a rede Lucy Montoro em Bauru”, menciona.
Questão estrutural
Sobre a viabilidade de instalação dos programas do instituto em dois pavimentos da unidade em construção do Hospital do Centrinho, o superintendente apresentou a distribuição dos programas para todos os 10 pavimentos já previstos. Do ponto de vista estrutural, a argumentação do HRAC é a de que os espaços hoje já ocupados já não comportam todos os projetos aprovados e em andamento.
Mesmo com os novos pavimentos, o Centrinho terá de destinar, segundo a superintendência, áreas específicas para atuação em cardiopatia congênita. O convênio com o Hospital Incor já foi negociado. “Dos 23.782 cardiopatas diagnosticados no País, 19.026 são casos de cirurgia e o déficit do SUS é de 5.678 desse contingente. É medicina preventiva, para evitar mortes. Está no projeto do hospital e tem de realizar”, cita.
Outras repartições de apoio ao Centrinho já estão delimitadas com a nova construção. O Centrinho já ocupa áreas da Faculdade de Odontologia (FOB) e aluga outras repartições para dar conta de projetos através da Funcraf - fundação que dá suporte a inúmeros programas na instituição bauruense.
A Divisão de Saúde Auditiva, por exemplo, já está em dois prédios alugados atualmente e a Divisão de Odontologia funciona com demanda reprimida em relação às limitações de instalação. O projeto do Centrinho também integra concepção que a superintendência lista como prioritários, como o Hospital de Retaguarda: “Temos dois pavimentos para atendimento de pessoas que precisam ser preparadas aqui no Centrinho para as cirurgias de alta complexicdade e não permanecer em pensões como ocorre hoje. É uma questão de humanização e de qualidade de atendimento que planejamos e esperamos por anos”, finaliza Gastão.
A posição do Centrinho tem o apoio das instituições que atuam na mesma área de ação da rede Lucy Montoro. Após ouvir as argumentações do HRAC, ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho ponderou que o Centrinho se posicionou com clareza.” O hospital explicou com clareza seus projetos já aprovados de longa data e os motivos para não incorporar a demanda da rede Lucy Montoro. É preciso abrir negociação com o Estado para que a Apae e a Sorri possam participar do programa, com ampliação de suas atividades. Bauru é grande centro de referência nesse setor de reabilitação e é preciso amadurecer o tema para entrada da rede Lucy nas instituições que já funcionam bem”, comenta.