Uma voz límpida, dona de interpretações abertas à emoção e de uma carreira recheada de elogios desde sua estréia em disco, em 2000. A cantora mineira Ceumar vem ao Serviço Social do Comércio (Sesc), nesta noite, com a turnê de lançamento de seu quarto álbum, “Meu Nome”. O show será no ginásio da unidade, a partir das 21h, e os ingressos já estão à venda.
“Meu Nome” foi registrado ao vivo durante uma temporada de shows no Teatro Fecap, na Capital paulista, entre maio e junho do ano passado. No palco, Ceumar teve, basicamente, a companhia de seus violões. Nesta noite, ela recebe o músico Sérgio Pererê como convidado. “É um cantor dos melhores, uma voz que o Brasil precisa conhecer, um grande talento, de presença de palco iluminada”, nas palavras da mineira.
O quarto trabalho acabou por ter foco em composições autorais de Ceumar: das 20 faixas, oito têm letra e melodia de sua autoria. Nas demais, ela abriu espaço para parcerias já consagradas, como Dante Ozzetti, Kléber Albuquerque, Gero Camilo, Tata Fernandes e Sérgio Pererê. Há ainda canções criadas em encontros inéditos com o pianista cubano Yaniel Matos, Estrela Ruiz Leminski, Mathilda Kóvak e Etel Frota.
“São músicas de uns dois anos pra cá. Eu não sou uma compositora voraz. Já estava juntando esse repertório há um tempo, cantando algumas coisas em show, então foi só juntar”, conta a cantora. “Nos shows, costumo fazer várias músicas do CD e dou uma pinceladinha em coisas antigas. O show já está bem redondinho”, completa, em entrevista ao JC Cultura.
Algumas músicas, segundo Ceumar, vinham sendo testadas no formato voz e violão. A partir das experiências, foi fechado o repertório dos shows do ano passado, registrados para o álbum. Sobre fazer as apresentações praticamente sozinha - apenas com convidados especiais -, ela se diz feliz.
“É uma aventura, é ótimo ficar mais sozinha. Vinha experimentando esse sabor, alguns shows já fazia sozinha, até mesmo pela dificuldade de viajar com banda. É uma cumplicidade maior com público”, diz. “Acho que as pessoas têm necessidade de silêncio, de ver um show onde possam ouvir violão e uma voz. Acho que é sinal dos tempos, um desejo íntimo meu de gostar de silêncios também”, confessa.
“Meu Nome” foi produzido pelo músico e produtor holandês Ben Mendes. “Quando eu vi a performance de Ceumar com Mike del Ferro Trio, na Holanda, em 2006, fiquei impressionado com a pureza e o frescor de sua música. Ela não é um tipo clichê de cantora brasileira, ela é uma talentosa contadora de histórias”, comentou Mendes.
Canções e histórias
O disco tem, entre suas faixas, “Parque da Paz” (Ceumar), reggae delicioso e livremente inspirado em Itamar Assumpção e a cidade de São Paulo; “Meu Mundo” (Ceumar e Tata Fernandes); “Feliz e Triste” (Ceumar e Kléber Albuquerque), sobre a qual a própria cantora faz um comentário: “Logo após o incêndio em casa, deixei uma idéia de letra com Kléber, que era meu vizinho. Ele finalizou lindamente a idéia desses sentimentos que podem, muitas vezes, estar tão juntos.”
“Gira de Meninos” (Ceumar e Sérgio Pererê) também tem relação com o incêndio na casa da artista: “Deixa a madeira cheirosa queimar/ Deixa a fumaça subir/ Hoje eu quero cantar e cantar/ Para os meninos daqui”, diz a letra. A delicada “Mãe” foi composta por Ceumar um dia antes da morte de sua mãe, que a ensinou a cantar.
“Maracatubarão” é inspirada em uma viagem da cantora em 2005. “Estive com uma turma boa em Recife, no Festival de Teatro, fazendo o repertório de Gero Camilo. Ficamos em frente à praia do Pina, a praia dos tubarões... Mas ninguém sabia e nadamos felizes por horas naquele mar de azul imenso”, conta, no material de divulgação.
Outros destaques são o samba “Jabuticaba Madura”, “Samba pra Fabi” (composta por Ceumar em homenagem à cantora Fabiana Cozza), “Nada Combinado”, “Ciranda” (parceria com Dante Ozzetti) e “Oiá”, de Sérgio Pererê.
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Trajetória
Considerada pelos críticos uma intérprete de voz rara, límpida, violonista de mão cheia e exímia arranjadora, Ceumar lançou seu primeiro CD, “Dindinha”, em 2000, cinco anos depois de chegar a São Paulo, vinda de Itanhandu (MG). O disco de estréia foi produzido por Zeca Baleiro. Em 2003, ela lançou “sempreviva!”, em que assina a produção musical e arranjos.
Dois anos mais tarde, Ceumar e Dante Ozzetti participaram juntos do Festival da TV Cultura e, a partir daí, criaram juntos o CD “Achou!”, com composições de Dante em parcerias com autores diversos, como Luiz Tatit, Chico César, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Alzira Espíndola e Kléber Albuquerque.
Atualmente, Ceumar divide seu tempo entre shows no Brasil e na Europa, sobretudo na Holanda, onde se apresenta junto ao trio jazzista liderado pelo pianista Mike Del Ferro. Fora do Brasil, ela tem canções lançadas em coletâneas dos selos Nascente e Putumayo.
• Serviço
Sesc apresenta Ceumar hoje, às 21h, no ginásio de eventos. Ingressos à venda: R$ 8,00, R$ 4,00 (usuário inscrito, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações pelo telefone (14) 3235-1750.