10 de julho de 2026
Nacional

Crise não freia investimento no Exterior

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Mesmo com a crise internacional, as operações no Exterior ganharam importância e peso para as multinacionais brasileiras, em 2008. É o que mostra a pesquisa “Ranking Transnacionais Brasileiras 2009”, da Fundação Dom Cabral (FDC).

As 20 empresas brasileiras mais internacionalizadas já têm quase 30% de seus ativos e funcionários no Exterior. As receitas provenientes do estrangeiro superam 25% do total e os três indicadores - receitas, ativos e funcionários - vêm crescendo ano a ano, desde 2006.

Segundo os pesquisadores da FDC, apesar de o investimento brasileiro em outros países ter diminuído no primeiro semestre deste ano, a tendência é que a internacionalização e o interesse por aquisições no Exterior continuem crescendo. “Os empresários estão ‘cautelosamente otimistas’”, diz Álvaro Cyrino, professor da FDC. “Apesar de a liquidez no mercado internacional ainda permanecer restrita, a valorização do real e a depreciação dos ativos no Exterior gerarão oportunidades no médio prazo.”

Por enquanto, no entanto, o que se tem visto é a reversão da tendência favorável de investimentos no Exterior. Segundo o Banco Central, de janeiro a junho de 2008 as empresas brasileiras investiram US$ 8,5 bilhões em outros países. Já no mesmo período de 2009, os investimentos foram negativos em US$ 2 bilhões. Isso significou que houve mais entrada de recursos de fora do que aportes nas operações estrangeiras.

Os motivos, explica Jase Ramsey, coordenador do Núcleo de Estudos Internacionais da FDC, estão ligados à crise. Em muitos setores, como construção, aço e mineração, as operações no Exterior encolheram, com retração dos mercados internacionais. Além disso, as incertezas sobre as perspectivas no Exterior, bem como o baixo impacto da crise no mercado interno fizeram com que as empresas trouxessem recursos para o País, nesse momento.

Representantes de algumas empresas, como Marfrig e Artecola, presentes na divulgação da pesquisa, confirmaram a expectativa. Para eles, além de reduzir riscos, a internacionalização tem sido usada principalmente para reduzir o peso das commodities em sua receita.

Outro ponto destacado pelas empresas é a perspectiva de aumento na lucratividade nas operações estrangeiras, a partir de 2010.