11 de julho de 2026
Regional

Amaral Carvalho reduz exames por falta de substância radioativa

Por Davi Venturino | Com Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Os exames de cintilografia no Hospital Amaral Carvalho (HAC) estão sendo realizados apenas nos casos de emergência devido à falta do molibidênio-99, substância radioativa que está em falta no mercado. O fornecimento do produto foi paralisado pela empresa canadense MDS Nordion no último dia 28 de maio devido a um problema técnico no reator nuclear que produz a substância.

O molibdênio-99 é a matéria-prima para a realização de exames chamados cintilografias, que são utilizados no diagnóstico de tumores e problemas cardiológicos, entre outros. De acordo com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o reator canadense não funcionará por três meses. Dessa forma, o Instituto planeja comprar o produto da Argentina, que só pode fornecer 30% do necessário.

O Hospital Amaral Carvalho já recebeu produto importado da Argentina e não paralisou os exames durante a última semana. No entanto, o HAC está atendendo somente 30% de sua capacidade. Antes da falta do produto, o hospital chegava a fazer cerca de 800 exames por mês, 90% deles pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Agora o número caiu para cerca de 270 exames/mês.

“O restante dos exames serão remarcados de acordo com sua urgência, e outros usando métodos alternativos bons, porém muito mais caros e de manuseio mais difícil. Mas já temos o treinamento necessário para utilizá-los com total eficiência”, explica o médico Ricardo Brandão, responsável pelo setor de Medicina Nuclear do Amaral Carvalho.

De acordo com a assessoria de imprensa do HAC, o hospital utiliza cerca de 2 mil mCi (miliCuries) de Molibdênio-99 por semana. Com a falta do produto no mercado, hoje apenas um quarto da substância, cerca de 500 mCi, está chegando ao hospital. A assessoria informa ainda que não há previsão de quando vai normalizar a disponibilidade do produto no mercado.

O médico Alexandre Ribeiro de Amorim Brandão, vice-diretor clínico do HAC, explica que o hospital utiliza o molibidênio-99 todos os dias. Esse material é transformado em tecnécio-99m e é com ele que 80% dos exames de medicina nuclear do local são realizados.

Segundo o hospital, não há exames que possam substituir plenamente os obtidos por meio do uso dos radioisótopos. “É preocupante porque a Medicina Nuclear não é dirigida somente a pacientes portadores de câncer. Ela pode ser utilizada em outros tipos de doenças como as do coração, dos ossos, da tireóide, doenças renais e outras”, enfatiza o vice-diretor. Segundo ele, no caso do câncer, é possível, por meio do resultado do exame, optar por uma melhor abordagem terapêutica antes da doença se manifestar.