09 de julho de 2026
Articulistas

Abracem o velho pai

Gino Crês
| Tempo de leitura: 2 min

Neste domingo, comemoremos o Dia dos Pais fazendo uma reflexão sobre o dom de ser pai. Ser pai é provar os limites que constituem o sal e mel do ato de amar alguém. Quando os filhos nascem, comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça. Dependem de amor, de cuidados. E retribuem com gestos que enternecem. Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões. O tempo se encarrega da formação de novas famílias, Os netos nascem. O pai envelhece. E então algo começa a mudar, Os filhos já não têm aquela atitude de antes. Parece que agora só ouvem o velho pai para fazer críticas, reclamar, apontar falhas. Já não brilha mais nos olhos dos filhos aquela admiração da infância. E isso é uma dor imensa para o velho pai. Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mais impertinente. Não ouvem mais os conselhos. Demonstram mais impaciência. Acham que o velho pai tem opiniões superadas, antigas.

Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, as velhas músicas. E tentam fazer o velho pai adaptar-se aos novos tempos, aos novos costumes. Quanto mais velho fica o pai, os filhos assumem o controle de tudo. Passeios, comida, roupas, médicos, tudo passa a ser decidido pelos filhos. Raramente o velho pai é ouvido quando tenta fazer algo diferente.

Por que então desrespeitá-lo? Por que tratá-lo como se fosse um inútil ou uma criança sem discernimento? E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor. Naquelas mãos trêmulas, há sempre um gesto que abençoa, acaricia. A cada dia que nasce, lembrem-se, está mais perto o dia da separação. Um dia, o velho pai já não estará aqui. O querido velho pai estará ausente. As roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos em um canto qualquer da casa. Então, filhos, aproveitem este dia para valorizar o tempo de agora com o seu velho pai. Paciência com ele quando se recusa a tomar os remédios, quando fala interminavelmente sobre doenças, quando se queixa de tudo. Abracem o velho pai, beijem-no, enxuguem as suas lágrimas, ouçam as histórias, mesmo que sejam repetidas e dêem-lhe mais atenção, afeto. Acreditem, neste dia dentro daquele velho, e talvez doente coração, brotarão todas as flores da esperança e da alegria.

O autor, Gino Crês, é professor