07 de julho de 2026
Regional

Comércio pode sofrer duro golpe com desemprego

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

As previsões para o comércio de Macatuba não são das melhores. A tendência é aumentar a inadimplência e a fuga dos clientes. Com cerca de 100 estabelecimento comerciais a cidade atende basicamente o trabalhador rural, aquele que não tem veículo próprio para procurar os grande centros para as compras. Porém, o presidente da Associação Comercial, Alberto Matiello Dias, otimista de carteirinha, acredita que depois de tantas crises, planos mirabolantes, o brasileiro está apto a “tirar de letra” mais essa situação.

“Eu acho que os comerciantes vão sobreviver. Para quem sempre sobreviveu com seis meses de safra e seis sem ela, vamos superar mais essa fase. O brasileiro por mais que a situação esteja difícil ele sempre acha uma saída. Isso é fundamental no povo brasileiro, a criatividade. Sei que vai complicar, mas vamos buscar outras coisas.”

Ele acha que se a situação fosse tão crítica, comerciantes de outras regiões não estariam investindo no comércio de Macatuba. “Uma rede de móveis inaugurou recentemente uma loja e outra de Pederneiras está chegando.”

Para driblar a crise, prevista para o final do ano e começo do próximo ano, a associação aposta nos treinamentos, tanto de funcionários como dos comerciantes. “Tem um projeto do Sebrae e da Federação do Comércio que tenta mudar algumas situações. Conseguimos juntar os comerciantes de vestuário e sapatos na promoção de ações que resultaram positivas. “Eles agregam comerciantes do mesmo grupo que podem agir conjuntamente, desde que esqueçam que são concorrentes. É o projeto empreendedor.”

Esse setor, segundo o presidente, conseguiu realizar dois saldões na cidade, um em setembro e outro em março, e foi um sucesso. “A cidade se mobilizou. Veio gente de cidades vizinhas e eles conseguiram acabar com o estoque.”

Para Dias, o desemprego da população trabalhadora é sinônimo de dificuldades para os comerciantes das cidades de pequeno porte. “Nós não temos condições de facilitar em 24 vezes, por exemplo. O consumidor não leva em conta que o financiamento encarece o produto, mas o tamanho da prestação que cabe no orçamento mensal da família. Vamos ter fuga de consumidor para os grandes centros, onde estão os magazines”, acredita.

Outro prejuízo que poderá ser sentido pelos comerciantes é no item inadimplência. O consumidor vai priorizar a alimentação, farmácia, vestuário e depois as outras lojas que vendem de tudo um pouco. A prioridade é a comida. Os grande magazines conseguem receber porque a única coisa que o trabalhador preserva é o nome. Se perder o crédito, não consegue mais comprar.”

Para ilustrar a situação, Dias usa o aquário. “No aquário há vários tamanhos de peixes. Na hora que a gente joga a comida, quem come primeiro? Os grandes. É assim no comércio. O consumidor vai receber o salário e priorizar os pagamentos. Como nem todos os comerciantes da cidade têm cadastro dos clientes, alguns podem sofrer grandes perdas.” No rol daqueles que podem perder ou demorar a receber, o presidente da associação inclui o comércio que ainda não se adequou e vende na confiança, marcando em cadernetas e fichas. “Há padarias, açougue e quitandas que ainda não fazem cadastro e nem consultam Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).” Na opinião de Dias, o brasileiro está endividado e boa parte comprometida com pagamento de água, luz, alimentação, aluguel etc.”

____________________

Demissões são mais de 100 a cada duas semana

As demissões no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Macatuba tem sido uma constante. O presidente da entidade, Luiz Carlos de Souza, prevê que até o final do ano mais de mil trabalhadores vão perder seus postos de trabalho na cana. “Estamos com uma média de 100 demissões a cada duas semanas. Nesta foram 112.” Souza acha que a cidade não está preparada para resolver rapidamente essa questão. Os demitidos são trabalhadores com pouca instrução e não sabem fazer outro serviço. Para o advogado do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Açúcar de Macatuba, Benedito Murça Pires Neto, os governos deveriam esudar a situação. “Como aconteceu no Japão, após a II Guerra Mundial, para minimizar os efeitos da mecanização. O planejamento que de fato e de direito assistimos é diferente da realidade. Meia dúzia de pessoas falam pelos trabalhadores, mas não conhecem a realidade, só os sindicatos têm o contato direto com o trabalhador e sabem a real situação.”