09 de julho de 2026
Geral

Grand Expo abriga famílias de longe

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Quem circula pela praça de alimentação da Grand Expo Bauru 2009 muitas vezes nem imagina que as pessoas que lá trabalham viajaram várias centenas de quilômetros para estarem ali. Conversando com os donos de barracas, percebe-se que eles vivem na estrada. O lugar onde menos ficam é suas casas.

Estão sempre viajando. Às vezes, demoram dois meses para voltar para casa e, quando voltam, ficam uma semana para partir, novamente, para a estrada. Muitos deixam os filhos em casa, o que dá um aperto no coração, principalmente, numa data como a de ontem, quando se comemorou o Dia dos Pais.

Sérgio Schuinzekel da Silva, 42 anos, por exemplo, tem um menino e uma menina com 13 e 12 anos, respectivamente. Assim que clareou o dia, recebeu mensagens dos filhos no celular cumprimentando-o pela data. Em seguida, falou com eles por telefone como se estivessem na mesma cidade quando, na realidade, cerca de 1.270 quilômetros separavam pai e filhos.

Sérgio e a esposa, Valdenice Ghem, 36 anos, vieram de Ijuí (RS) para trabalhar na Grand Expo Bauru. É o segundo ano que desembarcam por aqui e estão muito animados com os resultados e a recepção do público. “O povo daqui é muito acolhedor, mais do que o povo gaúcho”, elogiou. Além disso, as vendas estão indo muito bem. O principal produtos deles é a bebida; a campeã de vendas é uma mistura que recebeu o nome de Capeta.

Eles estão na estrada há cerca de 12 anos e viajam o Brasil todo. Já participaram de feiras em Governador Valadares (MG), Vitória (ES) e Brasília (DF). Sérgio diz que chegou a abrir uma empresa em Ijuí, mas o ganho era muito pequeno. Foi aí que decidiu pegar a estrada. Segundo o comerciante, é uma vida cheia de sacrifício e privações, mas que tem um retorno financeiro que compensa todo o sofrimento.

Comparando com o tempo de estrada de outros comerciantes que participam da Grand Expo, os 12 anos de Sérgio e Valdenice parecem pouco. Eles mesmo admitem isso. Tanto que ainda não se dão ao luxo de tirar férias. Trabalham o ano inteiro. “Procuramos ter nossos momentos de lazer nas cidades onde estamos trabalhando. Ainda não podemos tirar férias, mas vamos chegar lá”, aposta Sérgio.

Quem já chegou lá foi Carlos Vintecinco, 56 anos, e a esposa, Maria Aparecida Vintecinco, 49 anos. Depois de 25 anos na estrada, eles decidiram colocar o pé no freio e já não viajam mais com tanta freqüência. Geralmente, não ficam longe de casa por mais de 15 dias. Uma vez ou outra, acontece de ficarem um mês fora, como agora. Depois da feira em Bauru, eles vão para Barretos, onde ficarão por mais duas semanas.

Carlos e Maria Aparecida são de Maringá (PR) e a área de atuação deles fica restrita aos Estados de São Paulo e Paraná. No começo, viajavam e deixavam os filhos em casa. Agora, o caçula Adriano, 21 anos, viaja com eles; as outras duas filhas, casadas e bem empregadas, permanecem em Maringá.

O esforço do casal Vintecinco é superar a saudade dos netos Carolina, 8 anos, Danilo, 4 anos, e Rafaela, 4 meses. Até por causa deles, os avós decidiram passar mais tempo em casa. Ao longo desses 25 anos de estrada, conseguiram montar três equipes que visitam outras feiras. Nesta semana, por exemplo, há uma equipe com barraca na exposição de Jaú, uma em Promissão e outra em Guarapuava (PR). De longe, eles coordenam também essas barracas.

Segundo Maria Aparecida, são tantas feiras em São Paulo e no Paraná que dá para viajar o ano inteiro. “Toda semana, tem feira em alguma cidade. Se quisesse, a gente moraria no mundo”, fala. Quando está participando de algum desses eventos, ela e o marido chegam a trabalhar até 18 horas por dia. Especialmente nos dias mais movimentados, levantam às 9h e vão deitar apenas às 4h da madrugada seguinte.

Por causa da correria e do cansaço que as seguidas feiras provocam, eles decidiram que era preciso uma parada maior para descansar. Decidiram, então, que a feira de Avaré, em meados de dezembro, seria a última do ano. E só voltam a trabalhar em fevereiro. Mesmo nas férias, eles não param. “A gente aproveita para fazer a manutenção dos nossos equipamentos”, diz Maria Aparecida.