09 de julho de 2026
Polícia

Moto mata 12 no trânsito de Bauru

Por Luciana La Fortezza | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Mãe de três crianças, Danieli D’Arc dos Santos, 26 anos, morreu anteontem à noite em Bauru após sofrer acidente com uma Honda CG Titan 150, na quadra 50 da avenida Nações Unidas, próximo ao Ceagesp. Só neste ano, 12 pessoas perderam a vida em Bauru por conta de desastres nas ruas da cidade envolvendo veículo de duas rodas. O número de óbitos dessa natureza já é 50% superior ao mesmo período do ano passado, segundo dados levantados pelo JC com base em estatísticas da Polícia Militar (PM).

De acordo com a corporação, uma testemunha viu quando Danieli transitava sentido bairro-Centro e perdeu o controle do veículo. Chocou-se contra um poste de iluminação pública. Com o impacto, ela caiu e foi socorrida ao Pronto-Socorro Central, mas não resistiu. As razões que provocaram a queda são ignoradas, consta no boletim de ocorrência. O total de mortes entre motociclistas - 8 - em 2009 já se aproxima ao de pedestres, que lidera o ranking de vítimas fatais com 11 casos.

Ocorre que muitos dos que caminhavam a pé perderam a vida ao serem atropelados por motocicletas. Mas se os veículos de duas rodas estão presentes em mais de 50% dos acidentes com morte, a tragédia que se abateu sobre a família de Danieli tem uma característica pouco comum. Neste ano, morreram quase cinco vezes menos mulheres que homens em acidentes de trânsito. São quatro contra 19, respectivamente, ainda segundo cálculos do JC. Mas o total de vítimas fatais do sexo feminino já é quase o mesmo do ano passado inteiro.

Jovem

Em 2008 elas somaram seis casos. Independentemente do gênero, as principais vítimas de trânsito neste ano têm idade entre 18 e 30 anos. Danieli tinha 26 anos, acabara de voltar ao mercado de trabalho. Era balconista de uma grande rede de supermercados. Deixa dois meninos, um de 9 anos e outro de 7 anos. Também tinha uma filha de 2 anos, fruto da segunda união, que seria oficializada com festa no final do ano. Anteontem, Dia dos Pais, o atual companheiro recebeu a notícia que terá de criar sozinho pela menos a caçula.

Neste ano, domingo ganhou conotação trágica. É o dia da semana que foi registrada a maioria das mortes no trânsito de Bauru, somando todos tipos de acidentes. Sábado e terça vêm na seqüência. Danieli morava com a família na quadra 2 da rua Floriano Peixoto, no Centro.

Ontem vizinhos se ocuparam das crianças, enquanto ela era velada. Só até junho deste ano, 1.346 acidentes com motos foram registrados na cidade. As motos representavam quase 20% do total de veículos envolvidos em ocorrências de trânsito.

De acordo com o tenente Jorge Luís Dias, comandante do Pelotão de Trânsito da PM, uma campanha educativa está sendo preparada junto à Emdurb e à Transurb para ter início pouco antes da Semana Nacional do Trânsito, comemorada em setembro. “Será uma forma de orientar e conscientizar pedestres e motociclistas, que têm sido as maiores vítimas dos acidentes em Bauru. E as estatísticas têm crescido ano a ano”, frisa.

Ele salienta que o número de acidentados explodiu junto com a frota de motocicletas, que sofreu um ‘boom’ nos últimos anos. E, mesmo com a crise financeira mundial e a conseqüente restrição no acesso ao crédito para financiamento desse tipo de veículo, as ocorrências não reduziram.

Por essa razão, Dias alerta que a forma mais eficaz para evitar os acidentes é dirigir com prudência. “A direção defensiva é essencial para todos os motoristas, mas ainda mais para o motociclista, devido à fragilidade própria da moto. Ele pode se machucar gravemente mesmo se atropelar um simples animal na rua”, avisa.

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Farol apagado dá multa

Motociclistas que trafegavam pelas ruas da cidade com o farol apagado, durante o dia serão alvo de multas muito em breve. Nos próximos meses, os policiais de trânsito da cidade passarão a autuar os condutores de veículos motorizados de duas rodas que estiverem com a luz apagada, conforme já prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Como poucas pessoas conhecem a exigência, a idéia é divulgar o início das autuações nos meios de comunicação e, em seguida, aplicar o que está previsto na lei. De acordo com o artigo 244 do CTB, conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor com os faróis apagados representa infração gravíssima e pode resultar em multa e suspensão do direito de dirigir, além do recolhimento da carteira de habilitação.

“O recomendado é utilizar luz baixa de dia e à noite. Nós não estávamos autuando por uma orientação do Cetran (Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo), mas agora houve entendimento de que as motos devem ser multadas”, orienta o tenente Jorge Luís Dias, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM).

Segundo o tenente, transitar com os faróis acesos durante o dia aumenta consideravelmente a segurança dos motociclistas e dos pedestres. “Eles fazem com que o motocilcista seja visto com maior facilidade pelos demais motoristas e por qualquer pessoa que esteja andando na rua”, explica.