09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Secretaria de Turismo


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O Jornal da Cidade traz, no último domingo, a informação de que o prefeito Rodrigo Agostinho “insistirá na criação da Secretaria Municipal de Turismo”. Não discuto a legitimidade do edil da cidade Bauru em defender livremente as suas idéias, bem como tentar implementá-las através dos meios legítimos, a saber a Câmara dos Vereadores. Entretanto, convidaria Rodrigo Agostinho a refletir a respeito da sua ação administrativa flagrantemente contrária ao que se considera acertado em termos de gestão pública nos dias atuais!

Em primeiro lugar, creio que vale a pena Agostinho lembrar que a sua eleição para prefeito de Bauru, além do forte ingrediente emocional e do voto de protesto dos bauruenses exaustos de tantos deslizes administrativos e morais do passado recente, bem como de uma última administração sob o comando de Tuga Angerami, unanimemente considerada “anêmica”, cujo maior pudera, diz um amigo meu: “O Tuga também não comprou nada, não reformou nada, não carpiu nada, não asfaltou nada”.

Agostinho foi eleito como aposta plena dos eleitores de Bauru de que o mesmo partiria para uma maneira de governar completamente inovadora, uma gestão pública jamais vista nestas terras brancas. Assim, minimamente, o que se pode dizer até esse momento é que Agostinho ainda não mostrou a que veio. Sua gestão tem se mostrado tímida, sua liderança na Câmara dos Vereadores posta-se muitas vezes como franca oposição. Por último, Rodrigo teima em criar a 15ª. Secretaria Municipal, repleta de cargos de livre provimento do prefeito, inchando ainda mais a folha de pagamento da cidade. Creio que ainda é tempo do prefeito deixar claro ao povo de Bauru que eles não se arrependerão de lhe terem confiado o Palácio das Cerejeiras. Tenho para mim que o prefeito deveria pensar seriamente em protagonizar o maior choque de gestão administrativa que se tem notícia nesta cidade.

I - Inicialmente, demitir o máximo possível de funcionários de livre provimento do prefeito; II - fundir o maior número de secretarias possível, como exemplo, ao invés de criar a Secretaria de Turismo, transformar a Secretaria de Desenvolvimento em Desenvolvimento e Turismo, neste mesmo diapasão poderia implementar uma forte dieta de emagrecimento da máquina pública fundindo várias secretarias existentes, como por exemplo, fundir as secretarias de Educação e Esporte, Obras e Planejamento etc; III - Todas as gestões bem sucedidas dos últimos tempos tomaram também a atitude de “desalugar” o maior número possível de imóveis ocupados em nome da Prefeitura de Bauru; IV - Aproveitando para reunir num único espaço todas as secretarias, trazendo todas para um único galpão adaptado para tal, acabou o tempo da ostentação arquitetônica de órgãos públicos! V – Estudar, planejar e efetivamente pôr em prática um projeto sério de combate às construções irregulares, mantendo por exemplo viaturas e fiscais em permanente atenção para que não se instale mais barracos em áreas desocupadas e do município que facilmente se transformam em novas favelas; VI - Aparelhar a Secretaria de Planejamento com o máximo possível de estrutura para combater a multiplicação absurda de ambulantes nas calçadas de Bauru etc.

Caro prefeito, talvez a lição que um governante jamais poderá esquecer é a de que “governar é contrariar interesses individuais e de grupos em favor do interesse coletivo”. Prefeito: tão pouco se preocupe com as próximas eleições, governe pensando seriamente na tarefa que lhe cumpre este mandato, a população haverá de reconhecer com justiça uma gestão voltada para o coletivo, ainda que inicialmente isto signifique baixos índices de popularidade. Gosto muito da idéia de se ver o prefeito de uma cidade como uma “dona de casa” prudente, zelosa e virtuosa, que atenta a tudo que acontece no seu lar, cuida pessoalmente de todos os detalhes, delega funções aos demais moradores da casa, age com justiça e luta bravamente pelo bem-estar de todos que estão debaixo do seu teto. Bauru Sempre.

Paulo César Barros Monteiro