08 de julho de 2026
Nacional

Hospital desenvolve primeiro coração artificial implantável

Folhapress
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São Paulo - O hospital estadual Dante Pazzanese, em São Paulo, inaugura hoje um centro de engenharia do sistema cardiovascular, que, entre outros projetos, vai desenvolver o primeiro coração artificial implantável com tecnologia nacional.

O aparelho ajudará pacientes com insuficiência cardíaca avançada e que precisam de um transplante, até que surja um doador compatível. Ele não substitui o coração natural, mas trabalha ao lado dele.

Segundo o cirurgião cardíaco Jarbas Dinkhuysen, chefe da seção de transplantes do Dante e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), há muitos candidatos a transplantes que chegam em um estado tão crítico que morrem em poucas horas ou dias.”Se a gente implanta um aparelho desses, resgatamos o paciente e fazemos o transplante quase que em situação eletiva.”

Ele conta que, na Europa, um paciente conseguiu esperar, com um coração artificial similar, oito anos até o transplante.

No Brasil, mais de 50% dos candidatos a transplante cardíaco morrem na fila de espera. Se o país já contasse com essa tecnologia, a estimativa é que 80% dos pacientes seriam resgatados e, desses, 80% conseguiriam esperar, com qualidade de vida, um transplante.

O coração artificial, explica Dinkhuysen, também poderá beneficiar pacientes em estado grave que não têm indicação de transplante - o aparelho é implantado em caráter definitivo. Outro uso é nas miocardites (inflamação aguda do coração).

Segundo Aron Andrade, engenheiro biomédico do Dante, o novo centro desenvolverá uma bomba de sangue centrífuga semi-implantada, um equipamento que oferecerá uma ajuda temporária aos pacientes submetidos a cirurgias cardíacas complexas, auxiliando no bombeamento do sangue até que o coração se recupere.