A passagem de nível da linha férrea na avenida Comendador José da Silva Martha, no Jardim Estoril, continua gerando preocupações pelo risco de acidentes envolvendo veículos e trens, apesar das melhorias feitas no local. Obras e sinalizações foram concluídas, porém os riscos ainda não foram sanados completamente, principalmente na pista sentido Recinto Mello Moraes-Praça Portugal.
Diariamente, cruzam a Comendador oito composições com trens de carga, conforme a assessoria de imprensa da América Latina Logística (ALL), além de milhares de veículos e pessoas. A tão necessária cancela ainda é objeto de um jogo de empurra entre a ALL e a prefeitura, que nem a Justiça resolveu até o momento.
A duplicação de um trecho de 200 metros no sentido Praça Portugal-Mello Moraes e o asfaltamento de outros, apesar das sinalizações existentes, aumentaram o relaxamento dos motoristas diante da linha férrea, porque a pista com asfalto novo é um incentivo à velocidade, pois não há bloqueios naturais, como defeitos no piso, ondulações e buracos. A situação é pior no sentido oposto, de quem vem do Recinto para o Centro, porque a única placa indicando o cruzamento está pouco visível.
Normalmente, o fluxo de veículos é intenso no local e aumenta agora, período de eventos diários no Recinto Mello Moraes, com a realização da Grand Expo Bauru 2009.
O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Rubens Ribeiro Barros Filho, o Rubito, comenta que uma série de intervenções foram realizadas no local e nas imediações. Entretanto, ele admite que o problema da segurança não foi totalmente solucionado. “Em relação ao perigo que havia lá, existe mais segurança hoje do que há seis meses”, avalia, enquanto reconhece a necessidade de reforço.
Rubito explica que a sinalização possível para passagens de nível - cruz de Santo André, indicativa de cruzamento em nível - foi implementada nos dois sentidos da via. Porém, uma delas não está perfeita. “Não ficou muito boa porque, logo em seguida, fizemos um asfalto em cima e ela tem uma ‘falhadinha’. Vou repintá-la, na subida.”
Segundo o presidente da Emdurb, a principal melhoria foi a abertura das laterais da avenida para ampliar a visão para os motoristas. Para isso, árvores - leucenas - foram cortadas para que o motorista aviste a aproximação da locomotiva com antecedência.
Conforme Rubito, atualmente a composição pode ser vista a cerca de 50 metros do lado direito, enquanto que, anteriormente, o trem ficaria visível só a 10 metros do cruzamento. Além disso, os locais com mato alto foram roçados e a Secretaria de Obras também interveio no local.
Rubito acrescenta que, desde a última quinta-feira, dois agentes de trânsito - os azuizinhos - fazem plantão das 17h30 às 19h nas proximidades de um posto de combustíveis, controlando o fluxo de veículos no cruzamento. Rubito diz que eles devem operar no local até o final da Grand Expo Bauru.
No sentido oposto, a prefeitura duplicou um trecho de 400 metros da avenida entre a rua Bel Air, no Centrevile, e a via férrea. A duplicação foi entregue no último dia 1. Rubito explica que, posteriormente, foi construída uma lombada 50 metros antes da passagem de nível. De acordo com o presidente da Emdurb, o dispositivo foi instalado sob um poste de iluminação pública e com sinalização de solo.
Ainda há previsão de outra lombada, também no sentido Praça Portugal-Recinto, logo após uma grande mangueira localizada no canteiro central da avenida. “Não foi feito ainda por causa das demandas do Recinto”, justifica.
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Cancelas na Justiça
Tramita no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo uma ação que discute de quem é a responsabilidade pela colocação de cancelas nos cruzamentos de vias férreas em Bauru. Inicialmente, foi concedida liminar, em junho de 2007, obrigando a ALL e a prefeitura a instalarem os dispositivos luminosos de segurança. A concessionária e a prefeitura contestaram a decisão, em primeira instância, junto ao TJ e aguardam decisão.