09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Perdido na noite


| Tempo de leitura: 2 min

Vocês pirangueiros já ouviram falar de um arbusto de nome bambuzinho, que ao passar por baixo do dito cujo faz a pessoa perder a noção do caminho por um tempo. Pois eu acho que passei por baixo desse tal de bambuzinho, porque o que andei em círculo naquela noite em que fui pescar umas traíras lá pelos lados de Avaí, no rio Batalha... estou cansado até hoje. Vou narrar o que aconteceu.

Um sábado à tarde, eu mais o amigo Alcides fomos até um rancho na beira do rio Batalha para uma pescaria de traíra, em uma lagoa que ficava perto do rancho, a 1 km e meio de distância. Chegamos um pouco mais cedo para pegar uns lambaris para fazer iscas.

Cortamos os lambaris em três, o que deu uma boa porção de iscas, e lá pelas 6h da tarde nós pegamos as traias, a lanterna e um lanche para cada um e rumamos à lagoa. Já estava ficando escuro quando chegamos. Cada um foi para um lado e iniciamos a pescaria.

A noite estava ótima para pescar, sendo que até a meia-noite já tínhamos pego meia dúzia de traíras cada um, até que o amigo Alcides, quis voltar para o rancho, e eu disse: ‘Você pode voltar que eu vou ficar mais um pouquinho’.

E fiquei pescando, e as horas foram passando. Às 2h da madrugada, resolvi ir também para o rancho. Arrumo as traias e começo a andar, mas nada de achar o caminho. Vejo a água, pensei que fosse o rio, joguei um pedaço de pau para ver se e ele descia, mais ele parou. Era a lagoa. Eu estava andando em círculo, e não era a primeira vez que eu vinha pescar nessa lagoa.

Comecei a ficar preocupado e nada de achar o caminho, e como era uma noite quente de verão, eu já tinha resolvido fazer uma fogueira e dormir lá mesmo. Quando fui catar a lenha para fazer a fogueira, achei o caminho para o rancho. Enquanto isso, no rancho, o amigo Alcides preocupado com a minha demora já estava para sair à minha procura quando eu cheguei todo cansado de tanto andar no meio do mato.

Contei para ele o acontecido e ele deu uma boa gargalhada e tirou o maior sarro na minha cara. Fomos dormir e ficou tudo numa boa, só que hoje em dia eu já “me aposentei” de pescar à noite; agora, só de dia.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias