09 de julho de 2026
Articulistas

Marimbondo de fogo

Roque José Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

A crise do Senado revela da forma mais deslavada todas as manobras para atingir a Petrobras. Os objetivos da direita com esta CPI são inconfessáveis. Mas o governo manobra na confusão porque sua política abre caminho para a entrega da Petrobras ao capital privado. E estamos falando do controle da empresa, já que o governo hoje permite que 65% do capital não votante, mas que aufere gordos dividendos, esteja nas mãos de capitalistas nacionais e internacionais. A única coisa séria a fazer é defender a Petrobras, cancelando e anulando todos os leilões de petróleo, restabelecendo 100% de suas ações como estatais e colocando a empresa sob controle coletivo dos trabalhadores da Petrobras. Não há outra saída. Ou continuaremos a ver manobras dos capitalistas e seus partidos para abocanhar a Petrobras e a proliferação de acordos podres e pizzas lamentáveis.

É por essas e outras que o PT está sendo empurrado a defender, mesmo com vergonha, o marimbondo de fogo José Sarney. É uma vergonha para os petistas ver sua bancada e o presidente Lula defendendo Sarney. Mas não se trata só de Sarney. Quando Lula abraça Collor e o reconhece como um grande homem está humilhando todo o partido e a luta extraordinária da maioria do povo pelo Fora Collor.

Em Palmeira dos Índios, 14 de julho de 2009, Lula abraça Collor e o compara ao ex-presidente Juscelino Kubitschek e declara: “Quero fazer justiça aos senadores Fernando Collor e Renan Calheiros, que têm dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado”. E, embaixo do palanque, é distribuído ao público um jornal com a seguinte manchete: “Presidente Lula da Silva apóia Collor de Mello para governo de Alagoas”. E nem é preciso falar do esforço para ter Ciro Gomes como candidato ao governo em São Paulo.

O Senado é a cavalariça de Áugias, um estábulo com tanto excremento ressecado, um por cima do outro, que só Hércules, ou o povo em revolta, pode limpar tudo isso. O que o povo brasileiro precisa é de outras instituições, de outra classe dominante, a classe trabalhadora, de outra política, a política revolucionária do marxismo, do socialismo. O que o Brasil e o mundo precisam é pôr fim ao regime da propriedade privada dos grandes meios de produção e estabelecer um regime de propriedade coletiva das fábricas, das terras, das empresas, dos bancos, enfim, estabelecer uma economia política dos trabalhadores.

O autor, Roque José Ferreira, é vereador do PT- Bauru