Um crime que chocou os bauruenses em 1990 volta à tona. Após quase 20 anos, o ex-bancário Milton Borges, que matou sua esposa Alessandra da Costa Nogueira Borges e jogou o corpo em um poço abandonado, será julgado novamente. Porém, nem Borges ou sua defesa foram localizados pra notificação. Ele está foragido desde 1991. Se ele não aparecer, será o primeiro júri em Bauru sem a presença do réu.
O julgamento sem a presença do réu é possível devido à mudança no Processo Penal, conforme a lei nº 11.689, de 9 de junho de 2008. “Será um julgamento normal, mas Milton Borges, foragido desde 1991, não estará presente para ser interrogado, fato que muda se ele resolver aparecer no dia”, explica o advogado de acusação, João Costa Gomes. Na época do crime, ele foi promotor do caso.
Milton já foi condenado pelo homicídio em 1991, chegou a ser preso e fugiu. Mas com a mudança da lei, a mesma que permite júri sem o réu, o crime que iria prescrever em 2011, não será mais arquivado. Passa a valer a nova decisão judicial.
Desta vez, o promotor responsável é Djalma Marinho e o juiz da causa, Benedito Antonio Okuno. O julgamento está marcado para às 9h do dia 25. Segundo Gomes, o réu pode pegar de 12 a 15 anos de prisão. Além da acusação de homicídio, crime pelo qual Borges foi condenado em 1991, o advogado da família de Alessandra também acusa o réu por ocultação de cadáver e apropriação indébita de veículo.
“Também vou entrar com uma ação para que ele não herde nada. O filho do casal, que nasceu em 1988, na época do crime tinha 2 anos. Depois do assassinato da mãe foi criado pelo avô. Infelizmente, ele também morreu em um acidente de carro”, explica Gomes. “Por isso, tenho uma ação para que ele não herde nada do filho, que tudo fique para o avô materno, que criou o menino”, acrescenta.
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Corpo foi jogado em poço
Alessandra Borges foi morta no dia 6 de agosto de 1990. O acusado do crime é Milton Borges, com quem era casada há dois anos. Segundo o resultado do exame necroscópico, Alessandra morreu por asfixia mecânica. Milton teria dopado a mulher, colocado um saco plástico em sua cabeça e amarrado-a.
O corpo foi jogado em um poço abandonado, cerca de 80 metros da casa do casal. Na ocasião, o réu confessou o crime e foi condenado por homicídio duplamente qualificado (meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima).
Ele foi preso no dia 8 de novembro de 1990. Depois de seis meses recolhido no antigo Cadeião de Bauru, ele passou a trabalhar como faxineiro dentro do presídio devido ao bom comportamento. No dia 11 de agosto de 1991ele fugiu do presídio.
Milton está desaparecido até então. “Não se sabe o motivo do crime. Ele era uma pessoa violenta. Alessandra já tinha dado queixa de agressão. Tudo indica que tenha sido ciúmes”, explica o advogado João Costa Gomes. Para fugir, Milton pegou o carro de um amigo emprestado, que também não foi encontrado.