10 de julho de 2026
Política

No Dia do Solteiro, prefeito ressalta tempo disponível para exercer função


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Hoje é o Dia dos Solteiros. Aparentemente, uma data sem muita importância para Bauru, não fosse um dado curioso: nos últimos 80 anos, pela primeira vez na história do município, o chefe do Executivo irá se juntar à ala dos ‘avulsos’. Nas eleições do ano passado, Rodrigo Agostinho (PMDB) foi um dos 668 candidatos a prefeito ao redor do País que declarou estar solteiro (embora, naquela época, namorasse). No segundo turno, o número de não-casados disputando o pleito caiu para três (entre eles estava o ambientalista bauruense).

“Isso nunca foi problema para mim. Acho também que tem a ver com a minha idade (Rodrigo tem 31 anos). Além disso, a vantagem é que eu posso me dedicar mais aos assuntos da cidade”, diz o prefeito. “Acordo bem cedo, quando saio à noite o assunto é o trabalho, e às vezes acordo de madrugada para trabalhar. É difícil desligar. É difícil me agüentar.”

Na disputa pela prefeitura da Capital paulista, o estado civil foi usado como arma no duelo entre Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT), no ano passado. Ao rebater as críticas usadas na propaganda eleitoral petista pelo fato de não ser casado, o demista saiu em defesa da classe e respondeu: “Sou solteiro e feliz.”

Segundo último levantamento realizado pelo instituto Ipsos/Marplan/EGM, em 2008, cerca de 33% da população de São Paulo está solteira. Em todo o País, de acordo com o IBGE, existem quase 53 milhões de pessoas solteiras com mais de 18 anos, o equivalente a 30% da população, um número 70% maior do que na década de 90. A expectativa é que o ‘bloco-do-eu-sozinho’ aumente ainda mais.

Para a psicóloga, psicoterapeuta e professora da Unesp de Bauru, Carmem Maria Bueno Neme, nos últimos anos houve uma mudança de padrões de comportamento masculino e feminino. “Até bem poucos anos atrás, principalmente a mulher, se ficasse solteira, era desvalorizada, a auto-estima ficava prejudicada. Significava um acidente e não uma escolha. Notamos uma mudança tanto do perfil quanto nos padrões de solteirices, de homens e mulheres. Cada vez mais, os jovens ficam adolescentes por mais tempo, saem mais tarde da casa dos pais mais tarde, e os jovens acabam por decidir ter alguma forma de compromisso depois dos 30 anos.”