Gente classe A
Existem três tipos de causas: pensamento, palavra e ação. Segundo P. R. Sarkar, poeta, filósofo e compositor, existem três categorias de seres humanos. A primeira compreende aqueles cujos pensamentos, palavras e atos são os mesmos - o que significa que o que quer que eles pensem, eles fazem, e o quer que falem, eles fazem. Tais pessoas são da classe A.
A segunda categoria compreende aqueles cujos pensamentos e palavras são diferentes, mas seja o que falem, eles fazem - o que significa que eles pensam uma coisa, falam outra, mas fazem aquilo que falam. Tais pessoas são da classe B.
A terceira categoria compreende aqueles cujos pensamentos, palavras e atos são diferentes uns dos outros, jamais coincidindo. Tais pessoas pensam uma coisa, falam outra, e fazem outra completamente diferente. Tais pessoas são da classe C. Nela se enquadram muitos políticos.
Nessa linha de raciocínio, em que classe um psicopata se enquadraria? O termo psicopata de forma equivocada, na maioria das vezes, é associado à violência. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente são egocêntricas, indignas de confiança e se divertem com o sofrimento alheio. Elas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e não gostam de compromisso.
Especialistas afirmam que a maioria dos psicopatas é homem, e a ciência ainda desconhece os motivos dessa desproporção entre os sexos. Acreditam também que muitos são bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque nos negócios, nas artes e na política.
Pesquisas realizadas por diversos estudiosos, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, algumas vezes essas pessoas recorrem à violência física e sexual. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata.
Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia, em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra.
Sem sombra de dúvida os psicopatas estão inseridos em uma outra classe, que eu chamaria de D, pois agem conforme pensam, diferente do que falam.
Que eu saiba, não existe pesquisa que mostre quais são as porcentagens de pessoas nas classes A, B, C e D em uma comunidade. Mas sei que uma empresa ideal - utópica, pelo menos por enquanto - deveria ser constituída na sua maior parte de colaboradores classe A melhorada. Por que melhorada? Eu acrescentaria a essas pessoas verdadeiras “o pensar, o falar e o agir no bem”. Não basta ser na ação fiel ao seu pensamento e a sua fala, tem que inserir também o bem.
Agora, repara bem: basicamente são somente quatro classificações. Não tem sentido recrutamento e seleção de uma empresa vacilar - hoje existem testes para quase tudo -, bem como a liderança não se aprofundar durante o período de experiência. Eu sei que a correria que envolve as organizações é grande, mas tem-se que analisar mais as pessoas ao redor.
Os orientais dizem que se você observar uma pessoa durante 20 minutos ininterruptos, principalmente focando a linguagem não-verbal, descobre-se quase tudo o que passa em seus pensamentos naqueles momentos.
É necessário buscar a verdade nas relações. A cura de muitos males está aí. Portanto, pense no bem, fale no bem, aja no bem e observe bem.
Davison de Lucas é diretor da M. Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante (www.mdavison.com.br)