08 de julho de 2026
Geral

Repórter relata salto de pára-quedas

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 6 min

Saltar de pára-quedas é certeza de adrenalina. Uma boa notícia é que para praticar este esporte radical, acompanhado de instrutor, não é necessário ser atleta ou fazer aulas antes de se aventurar. Basta um pouco de coragem. Tudo bem, talvez muita coragem. Mas audácia não faltou para 19 alunos da Clínica Corpore, de Bauru, e para repórter. No último dia 3, fomos até Boituva (213 quilômetros de Bauru), capital do pára-quedismo no Brasil, e vivemos esta experiência.

Este foi a o segundo salto de pára-quedas organizado pela clínica - o primeiro ocorreu no dia 25 de abril deste ano. Na ocasião, 12 pessoas experimentaram pela primeira vez o salto duplo. Desta, dos 19 participantes, cinco saltaram pela segunda vez. Os aventureiros saltaram a mais de 1,2 quilômetro de altura. Durante 45 segundos, caíram em queda livre, em uma velocidade próxima dos 200 quilômetros por hora. Depois do pára-quedas aberto, o tempo do passeio variou de 6 a 8 minutos.

Rafael Pelegrina Pieroni, coordenador da Clínica Corpore, conta que a idéia do salto foi da empresária Keiko Okano Souza, 51 anos. “A primeira vez que ela falou sobre a vontade de saltar de pára-quedas foi em 2007. Como também tinha este desejo, resolvi pesquisar as escolas de pára-quedismo e optei pela Azul do Vento, em Boituva, referência no Brasil”, conta. “Neste um ano e meio de estudos e organização, Keiko ficava me cobrando”, acrescenta.

Segundo a empresária, a vontade de se aventurar em um salto duplo de pára-quedas surgiu após a experiência no skycoaster de um parque de diversão. “Sempre gostei de aventura e não tive medo em nenhum momento quando viemos pela primeira vez”, contou Keiko, tranqüila antes da sua segunda experiência. “Aliá s, não tem muito tempo para sentir medo. Quando abre a porta do avião e você se posiciona para saltar, tudo acontece muito rápido. Durante o salto tudo é muito bonito, é maravilhoso ver a cidade deste ângulo”, acrescentou.

Depois do segundo salto duplo, Keiko afirmou que cada experiência teve um sentimento diferente. “É indescritível, não tem como dizer o que sinto, o que passa pela minha cabeça. Só posso afirmar que em cada experiência a sensação foi diferente”, revela.

Engana-se quem pensa que a aventura da turma da Corpore terminou. O próximo salto duplo do grupo já está marcado para dezembro. Na ocasião, um aluno da clínica vai comemorar os 14 anos saltando. “Já estou na ansiedade para o próximo salto. É simplesmente maravilhoso. Uma sensação indescritível”, finaliza Rafael.

A Azul do Vento iniciou suas atividades em Campinas, em 1979. A escolacriou o primeiro centro de pára-quedismo completo no Campo dos Amarais. Em 30 anos de história na vanguarda do esporte, é uma das escolas mais conceituadas de todo o mundo. Seus fundadores, Marcos e Ricardo Pettená, estão entre os atletas mais experientes.

A escola já realizou saltos de celebridades como Ana Hickmann, Xuxa, Maitê Proença, Sabrina Sato, Caroline Bittencourt, Felipe Fogozzi, Dado Dolabella, entre outros. Como equipe de competição, conquistou o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro durante oito anos seguidos. Além de participações importantes em competições internacionais e nos maiores recordes mundiais já realizados.

Octavio Brasil, instrutor de pára-quedismos há 22 anos, já realizou mais de 4.500 saltos. Apesar da experiência, ele ainda afirma que a sensação é impossível de descrever. “Cada salto é uma experiência diferente. No caso do salto duplo (acompanhado pelo instrutor), a sensação é maravilhosa e cada pessoa que salta junto tem uma reação diferente, muitas vezes inusitada. Tem gente que chega chorando de felicidade, que me abraça, que grita. E o mais legal é que neste pouco tempo ficamos sabendo de muitas coisas da vida de cada um”, acrescenta.

O instrutor explica que para fazer salto duplo a pessoa não precisa fazer aulas antes. É necessário apenas algumas instruções. “Nestes casos, a responsabilidade toda é do instrutor, que é certificado para fazer isso”, afirma. “Ele leva dois pára-quedas como forma de segurança, caso o primeiro não abra, tem o segundo. Além disso, o pára-quedas de um salto duplo é maior para que suporte o peso”, acrescenta. Segundo Octavio, os aventureiros que praticam o salto duplo têm apenas uma obrigação: se divertir.

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Marinheira de primeira viagem

A emoção da experiência de saltar de pára-quedas- grande parte das pessoas que já vivenciaram concorda comigo - é única. Marinheira de primeira viagem, apesar de parecer loucura para muitos familiares e amigos, sempre sonhei com esta aventura.

A oportunidade veio por meio do JC. O também jornalista Rodrigo Ferrari, do JC, foi convidado pela Clínica Corpore para saltar. Como o colega de Redação não teve coragem de se aventurar, pedi para ir em seu lugar. Então, fui em busca da realização do meu sonho.

Quando contei para minha mãe do presente, a primeira reação foi me proibir. Já meu pai, menos nervoso, disse que era uma insanidade. No fim, ambos decidiram me acompanhar até Boituva. Meu irmãozinho, de 12 anos, também resolveu conferir de perto. A semana que antecedeu o salto foi de céu nublado e com um pouco de chuva, o que me preocupou.

Mas para a surpresa de todos, o sol veio dar boas vindas à corajosa equipe na manhã de sábado (03/08) e nos acompanhou durante toda a viagem. Os 19 integrantes partiram de Bauru rumo a Boituva, capital do paraquedismo no Brasil. Eu parti de São Carlos acompanhada da minha família.

Após três horas de viagem, me encontrei com o grupo bauruense na escola de pára-quedimos Azul do Vento. Eles já recebiam as primeiras instruções para o salto. Fui escalada para o último vôo do sábado. Por ser considerado um esporte de risco, para saltar é preciso assinar um termo em que o aventureiro se diz ciente de todos os riscos. Quando li a primeira frase do documento, bateu vontade de desistir.

Foram quatro horas de espera. Neste tempo, presenciei a ansiedade, o nervosismo, a felicidade e o êxtase de todo o grupo. Cada pessoa que saltava tinha uma reação diferente quando voltava ao chão. Também aproveitei para fazer minhas entrevistas e conhecer um pouco mais do pára-quedismo.

Finalmente chegou minha hora. Entramos no avião por volta das 16h. O animadíssimo Rodrigo Kristensen foi responsável pelo registro de toda a experiência. No mesmo vôo, me acompanharam Rafael Pelegrina Pieroni, que estava empolgado para seu segundo salto duplo, e sua namorada Ana Beatriz Guimarães, também marinheira de primeira viagem. Ana não disfarçava o nervosismo e o medo.

A mais de 1,2 quilômetro de altura, as nuvens ficaram para baixo e a porta do avião se abriu. Agora não tinha mais como desistir. Fui a última a saltar. Quando nos posicionamos na porta do avião, senti muito frio e medo. Naquele momento, me questionei sobre o que fazia ali. Mas quando saltamos, a sensação foi maravilhosa.

A adrenalina se misturou com o medo e o vento me deu a sensação de liberdade. Os 45 segundos de queda livre foram intensos. Além de sentir a emoção, me diverti dando tchau e mandando beijos para a câmera fotográfica e a filmadora.

Quando o pára-quedas se abriu, nos despedimos de Rodrigo, que voltou antes ao chão para registrar nosso pouso. No momento, a adrenalida diminuiu e eu aproveitei para apreciar a paisagem, que é maravilhosa. De volta à realidade, estava com as pernas moles e como disse meu companheiro de salto, Rafael, parecia que tinha sido picada pelo ‘mosquito’ da felicidade, pois não tirava o sorriso do rosto.

Acho que todo mundo deveria passar por esta experiência pelo menos uma vez na vida. Depois desta mistura de sentimentos, o único problema é viciar nesta adrenalina.