08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Elvis: Today, Tomorrow & Forever


| Tempo de leitura: 6 min

Talvez nenhum título melhor que esta bela canção gravada em dueto com Ann Margret para representar o legado e a memória deste menino pobre do Mississipi que viria a transformar o mundo. Este pobre caminhoneiro de costeletas faria sua obra e deixaria um legado que até hoje perdura.

Nascido em uma pequena cidade no sul dos EUA, Elvis Aaron Presley ficaria conhecido como Elvis ou, simplesmente, nada: sua fama atingiria tal patamar a ponto de se lançarem discos estampando apenas sua imagem e o título do álbum. O nome Elvis ao lado tornaria-se redundante demais

Desde sua primeira gravação - uma canção para sua mãe e rios de tinta correram e florestas inteiras de papel seriam derrubadas para catalogar todos seus recordes e feitos, coisa que ninguém imaginaria em 1945, quando, aos 10 anos de idade, em sua primeira apresentação, tirou o segundo lugar em um concurso de canto no Mississipi. Seria interessante saber por onde anda o primeiro lugar, pois é provável que ainda esteja perplexo com o fato de que seu oponente viria a gravar mais de 150 álbuns e compactos de Ouro, Platina e Multi-Platina (e cerca de outras 220 certificações estão à caminho – o que perfaria um total de mais de dois bilhões de discos vendidos ao redor do mundo inteiro).

Ainda no fim da adolescência viria a se tornar o catalisador das forças da última grande revolução cultural do Século XX, o rock´n´roll.. Não a inventou, mas daria-lhe as diretrizes e formatos que hoje conhecemos. O rock de Bill Halley era muito branco, mais country. O rock de Little Richard era muito negro, mais rhythm´n´blues. O rock de Pat Boone era muito comportado, mais gospel. E Elvis tornaria -se a antena que captou a sensualidade selvagem do rhythm´n´blues negro, o pungente berreiro country dos brancos e a harmonia saltitante do gospel de negros e brancos. Colocaria tudo no liquidificador e jogaria na cara da conservadora sociedade americana, branca, anglo-saxã e protestante dos anos 50.

Com Elvis, a música viria a unir pessoas ao redor de todo o mundo, independente de credo ou raça e o rock simbolizaria atitude de rebeldia, serviria como referência para a juventude de classe média pós-guerra no mundo inteiro. Elvis fecharia as cortinas do conservadorismo e macarthismo dos anos 50 e daria início ao espírito que simbolizaria as décadas seguintes. John Lennon, e outros almas de relevância até avaliariam: antes de Elvis não havia nada. Antes que alguém fizesse algo, Elvis fez tudo!

Mas Elvis fez ainda mais que sacudir ao som de rock and roll. Após chocar a América, colocando abaixo os compartimentos que dividiam a sociedade racista de Tio Sam, ser censurado por sua dança sensual em plena “Terra da Liberdade”, o ex caminhoneiro Presley viria a deslumbrar o mundo com o veneno de sua voz.

Dono de um perfil de efígie de moeda, de fazer inveja a qualquer Marlon Brando, Tony Curtis e James Dean, o garoto de costeletas evidenciaria que não era apenas um ‘rostinho bonito’. Revelaria que, além de perfomances ritmadas, sex appeal e rock & roll, detinha um poder vocal excepcional. Mesmo sem passar por estudos teóricos, havia desenvolvido a capacidade de percorrer praticamente toda a escala musical e com que facilidade! Aquele garoto atingia à elevadíssimas notas, sem falsete, a plena voz - o chamado ‘dó de peito’, mister de todo cantor de ópera! Sabia que para atingir a Eternidade seria preciso algo mais que simples passos e sacolejos.

A música não seria a mesma depois de Elvis, nem após seu surgimento, nem após deixar este mundo. Assim com na carta testamento de Vargas, Elvis deixaria a vida para entrar na história. O mundo já passara e enfrentaria outras grandes perdas: Edith Piaf, Roy Orbison, Frank Sinatra... Nenhuma causaria tanta comoção quanto a ocorrida aos 16/08/77. Causa mortis oficial: arritmia cardíaca, um problema hereditário agravado pela dependência de medicação prescrita, porém alguns afirmariam ter se tratado de um assassinato. Elvis teria sido asfixiado pelo próprio veneno de sua beleza, de sua voz, de sua maestria, sugado pela exposição exagerada de sua imagem em 33 filmes, pelos quase 1.200 shows a que fora requisitado a expor sua voz nos últimos anos. Elvis fora engolido pelo próprio monstro que criou, assassinado pelo veneno que brotou de sua própria alquimia.

Como um norte geográfico, Elvis tornaria-se a referência, seus recordes de primeiros lugares nas paradas seriam os difíceis alvos a serem batidos, seu recorde de público em transmissão de show via satélite (Havaí, 1973 – cerca de 2 bihões de pessoas), os jumpsuits que utilizava nos palcos, seu número de vendas em todos os formatos (LP, CD, DVD...). Até mesmo seu funeral e local final de sepultamento passariam a ser referência para aqueles que desejam um pedaçinho que seja de sua Eternidade. Não apenas dividiria em duas a história cultura do século XX, mas construiria um legado moral raríssimo a um artista – além do mais se tratando de um outrora roqueiro. Seria conhecido como aquele que se desfazia de quase toda sua fortuna auxiliando instituições de caridade, amparando artistas esquecidos, inválidos de doenças e de guerras, amigos e desconhecidos.

Relatos sobre sua sensibilidade abundam e comovem, como os de sua perturbação quando notava alguém cobiçando seus automóveis e de pronto doava-lhe imediatamente o referido cadillac, ou, quando perguntando ao um taxista se o automóvel com quem trabalhava era próprio. Ouvindo a resposta negativa, Elvis realizou sua apresentação naquela cidade e não a deixou enquanto não ofertasse um carro a este seu motorista transitório.

Elvis realizava esses e outros milhares de atos de generosidade ao quais sua modéstia não lhe impulsionava a tornarem-os públicos. Muitas de admiráveis atitudes que deveria ser seguidas pelos artistas de nossos dias. Elvis, apesar dos incontestáveis atributos e contribuições como artista, não admitia ser chamado de Rei (bem diferente dos ‘reis’ auto-intitulados que se seguiriam). Se durante os concertos as mudanças de iluminação lhe permitissem avistar alguma faixa com dizeres como “Elvis é o rei!”, imediatamente determinava sua retirava e taxativamente declarava: “não reconheço nenhum Rei além de Jesus Cristo!”.

Não sem motivo sua lembrança evoca tanto saudosismo e admiração ainda tanto tempo depois. Não são poucos os fatores que explicam porque por mais exposição que se tente submeter um astro (vivo ou morto), ninguém será tão Eterno quanto Elvis Presley e por isso está sendo lembrado novamente neste dia, pela 32ª vez consecutiva. Penso que nada sintetizaria mais sua obra artística e exemplo humanitário que a inscrição contida em sua lápide: Ele era um presente precioso de Deus Que todos estimávamos e sempre amamos Ele tinha um talento dado por Deus e o repartiu conosco, com o mundo, com todos, sem dúvida. tornou-se exaustivamente aclamado: Capturando os corações de tantos jovens e também mais velhos.

Ele era admirado não somente por ser “entretainer”, mas pela sua grandiosidade humanitária: Por sua generosidade, seu tipo de sentimento para seu bem-estar. Ele revolucionou o universo da música. Recebeu grandes prêmios. Foi uma lenda vida em seu próprio tempo, ganhou o respeito e o amor de milhões. Deus viu que ele precisava de algum descanso e o chamou à Sua casa com Ele. Sentimos sua falta...

Oscar Luciano Gomes Neto