09 de julho de 2026
Nacional

Pacote de bondades tenta turbinar Dilma


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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou em execução neste ano um pacote de bondades que serve para pavimentar o caminho eleitoral da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O atendimento de demandas sociais neste ano facilita a campanha de 2010. O pacote inclui revisão de valores de aposentadorias, reajuste no valor do Bolsa-Família, além da coleta dos frutos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, a partir do próximo anos.

Com questões populares resolvidas, Lula estaria mais livre para viajar com Dilma pelo País em busca de votos, além de efetivar a estratégia de transformar a eleição presidencial em um plebiscito.

O plano é confrontar o que foi feito no governo petista e no período do tucano Fernando Henrique Cardoso, para enfrentar o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), principal adversário de Dilma na avaliação dos petistas.

Em outra frente, Lula destravou o bloqueio de verbas para uso em publicidade no próximo ano imposto pelo Congresso. O presidente vetou na quinta-feira passada o dispositivo da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que limitava as despesas oficiais com publicidade, diárias e locomoção de funcionários ao mesmo valor do que será gasto neste ano.

Na comparação de aliados do governo, Lula está deixando o avião na cabeceira da pista pronto para decolar com Dilma no próximo ano. Ele pretende resolver nos próximos dias um passivo antigo, que beneficia em torno de 8,3 milhões de pessoas que recebem aposentadorias, pensões e auxílios da Previdência Social com valor acima de um salário mínimo.

O presidente deu o sinal verde e a equipe de governo discute a concessão, a partir de janeiro de 2010, de um índice de reajuste acima da inflação anual para essa faixa de benefícios, ao contrário dos últimos anos, incluindo os seis de governo Lula, quando essas aposentadorias receberam somente a correção da inflação.

No próximo mês, o governo começa a pagar os benefícios do programa Bolsa-Família com um reajuste de 10% em média. Na definição do aumento, o governo antecipou o que seria concedido no próximo ano. O índice significa a reposição da inflação dos últimos 12 meses mais a projeção para os próximos 12 meses. O Bolsa-Família, maior projeto social do governo, é responsável por grande parte da popularidade de Lula e a intenção é transferi-la em forma de votos para a sua candidata.

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Termômetro

Brasília - Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) constatou que, na eleição passada, o Bolsa-Família, criado em outubro de 2004, representou três pontos porcentuais da votação de Lula. Atualmente são 11,5 milhões de família atendidas pelo programa.

O Minha Casa, Minha Vida, é outro exemplo de ação tomada em 2009 que se concretizará no ano eleitoral. As primeiras construções subsidiadas deverão estar prontas no primeiro trimestre de 2010. “O presidente tem um discurso para cada coisa. Ele poderá fazer o comparativo e o plebiscito entre os governos dele e o de Fernando Henrique Cardoso”, avaliou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Outro aliado do presidente observou que a antecipação da campanha, da forma como foi articulada por Lula, se justifica pelo fato de a candidata escolhida não ter densidade eleitoral. Ele argumenta que, no plano social e de massa, o governo terá discurso para confrontar os tucanos, principais adversários nas eleições.

O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), contesta a idéia de que a intenção do governo seja eleitoral. Ele afirmou que a linha que Lula adotou para evitar que a crise financeira internacional atingisse o País foi a de diminuir juros e impostos e tomar medidas estruturantes, como o programa habitacional que contribui para a criação de empregos. “Se fosse uma questão eleitoreira, o presidente não daria aumentos, guardaria o dinheiro para gastar no próximo ano, perto das eleições”, afirmou o líder petista.