“Quem chega aos 40 anos sem ser estimado, não o será nunca mais”, disse um escritor francês. Mas quem conquistou amigos fiéis, o afago da família, o respeito dos colegas, sucesso profissional e um álbum de queridas e divertidas lembranças tem a comemorar aos 40, 50, 60 e 70 anos. E as datas têm sido celebradas em grande estilo por homens e mulheres ‘maduros’ que não medem esforço para exaltar a vida. Ao usufruí-la, desembolsam até R$ 30 mil numa festa em Bauru.
Animadas, às vezes à exaustão, as comemorações também movimentam a economia local. Um batalhão de pessoas é contratado para o evento que marca décadas de caminhada com os inerentes tombos e vitórias. São produtores de festa, designers de convites, profissionais responsáveis pela confecção das lembranças, decoradores (normalmente a festa é temática), floristas, fotógrafos, produtores de vídeo (cuja atribuição é a elaboração da retrospectiva do homenageado), empresas de locação de utensílios, bandas, DJs, bartenders, boleiras e doceiras, por exemplo.
Isso sem contar nas lojas de aluguel de trajes, cabeleireiros e na rede hoteleira. Algumas comemorações na cidade estão estimadas em R$ 100 mil. Outras, no entanto, são mais modestas. Realizadas em clubes, chácaras ou na área de eventos das casas, reúnem 90 pessoas entre familiares e amigos próximos. Neste caso, as iguarias ficam por conta de algum amigo querido conhecido como hors-concours em algum prato especial. Tem ainda quem contrate bons pizzaiolos, churrasqueiros ou quem saiba servir uma boa massa.
Independentemente do valor desembolsado, quem comemora a data, presta atenção nos detalhes. As bebidas são servidas em taças, cada qual no copo correto. Quando não de prata, os talhares usados são de primeira linha. Bons assentos e tolhas elegantes, explica Mara Zapaterra, proprietária de uma empresa de locações. De acordo com ela, só neste item, uma festa de alto padrão exige investimento de R$ 1.500,00. Outras mais simples, para 100 pessoas, não saem por menos de R$ 200,00.
Beneficentes
“Hoje, um homem de 60 anos vai para a balada, para a academia. Já está com a vida estabilizada. Vão buscar amigos de muitos anos atrás. Aquele do primário, da faculdade. Tenho a impressão que a Internet tem ajudado muito”, comenta ela. A reportagem soube de festas em que até a professora dos primeiros anos escolares foi convidada. O melhor presente, uma camiseta da época de centro estudantil. Normalmente, a festa respeita um tema específico.
Os mais comuns são anos 70 ou 60, brega e chique e até recordações da época do Ciente. Para o decorador de interiores e eventos Paulo Keller, tais eventos resgatam grandes festas e bailes comuns em Bauru anos atrás. De acordo com ele, um grupo local promovia festas temáticas na cidade a cada 45 dias. Eram beneficentes, como muitos aniversários atuais. Com a carreira estabelecida, anfitriões pedem aos convidados litros de leite, cestas básicas ou cheques nominais para beneficiar entidades assistenciais determinadas.
“Fica uma urna discretamente colocada na entrada. Essas festas não são tendência só em Bauru, mas no Estado e País”, comenta. De acordo com ele, a decoração de uma boa festa é orçada em R$ 8 mil. Nas mais simples, o custo cai para a metade. “Depende muito de como se faz. Quando se fala em trajes, todos respeitam. São animadíssimas”, conclui.
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Tudo aos 70 anos
Tudo. Quatro letras resumem o significado do pai para Karla e Karina Massad. Quando ele completou 70 anos, organizaram uma festa surpresa para Massaad Kalim Massaad. “Minha mãe falou que iriam numa outra festa e ele foi. Quando descobriu, ficou bem vermelho. Não sabia se ria ou chorava”, relembra Karina, que se ocupou mais com os preparativos da comemoração.
Nem a casa onde o homenageado morou no Líbano foi esquecida na retrospectiva. Karina organizou fotos, o texto que acompanhava cada imagem e escolheu a trilha sonora. De repente, viu-se roteirista. Quando algo é essencial, tudo vale à pena.