09 de julho de 2026
Polícia

Golpe da casa própria faz 10 vítimas

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

O golpe da casa própria soma um prejuízo de R$ 66 mil a 10 pessoas de Bauru que pagaram a uma mulher que prometia facilidades de acesso a imóvel financiado. A suposta corretora de imóveis Flavianete dos Reis Ferreira, 40 anos, é acusada por estelionato (artigo 171) com queixas em 10 boletins de ocorrência (BOs) registrados no 4.º Distrito Policial de Bauru.

Flavianete passou algumas horas presa na Cadeia Pública Feminina de Avaí, porém a prisão preventiva contra ela foi revogada. A ordem para mandar a acusada para a cadeia havia sido expedida pela Comarca de Anápolis, Goiás, cidade onde Flavianete responde a um processo por estelionato - processo 1.399 que tramita na 3.ª Vara Criminal.

A acusada foi detida em Bauru, no último dia 16 de julho, pelos policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) do 4.º DP em cumprimento ao mandado judicial. Uma denúncia anônima por telefone ao serviço de inteligência da Polícia Civil informou que haveria uma ordem de prisão contra Flavianete.

Porém, a acusada passou poucas horas na carceragem de Avaí. No dia seguinte, foi expedida a revogação de sua prisão preventiva. Desde então, ela desapareceu. O endereço comercial divulgado para as vítimas, localizado em um cômodo da residência 1-119, da rua Santa Luzia, no Jardim Redentor, está fechado. Todas as pessoas que apresentaram queixa de estelionato contra ela citam esse endereço.

Acredita-se que ela mudou-se de Anápolis para Bauru há cerca de um ano. A primeira denúncia do golpe da casa própria ocorreu em março deste ano e a mais recente foi registrada na semana passada no 4.º DP. A Polícia Civil acredita que novas vítimas do golpe irão aparecer nas próximas semanas.

De acordo com investigações da Polícia Civil, a conversa dela para arrancar dinheiro e bens das vítimas era muito parecida. Conforme apurou o JC, a a mulher se apresentava como corretora de imóveis e dizia que tinha facilidades em tramitar a documentação para financiamento da casa própria junto a uma reconhecida instituição bancária. Com essa história, a suposta corretora foi arrecadando R$ 2.500,00 de um, R$ 5 mil de outro. Uma das vítimas do golpe pagou R$ 15 mil. Em um dos acordos para o financiamento de imóvel, ela teria pego um veículo no valor de R$ 10 mil e mais R$ 1 mil em dinheiro. O argumento dela era que os valores seriam para dar entrada na negociação para aquisição da moradia com financiamento junto ao banco. Ela dizia que parte do dinheiro seria para fazer a documentação do negócio tramitará com mais rapidez junto à instituição bancária.

As vítimas esperavam um prazo para a expedição de contratos e outros documentos. No entanto, em todos os relatos à Polícia Civil, as vítimas afirmam que não conseguiam mais contatar Flavianete, nem por telefone e nem pessoalmente no suposto escritório montado no Jardim Redentor. Nos casos em que a residência, alvo da transação de compra e venda, era definida, os proprietários negaram qualquer intenção de venda ou vínculo com a acusada.

Com essa história, o 4.º DP acumula 10 queixas - BOs - relatando o golpe. Agora, o delegado de polícia titular do 4.º DP José Dorneles Costa irá instaurar inquérito policial pela prática de estelionato e deverá pedir à Justiça o mandado de prisão temporária contra Flavianete. Ele acrescenta que pretende juntar todas as queixas no mesmo inquérito para facilitar o trâmite das investigações.