Reginópolis - Uma viagem de 178 quilômetros com duração de mais de 30 horas. Este é o tempo aproximado que 27 cavaleiros da comitiva “Cowboys da Madrugada”, de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), vão levar para fazer o percurso até Barretos. A viagem, que pode ser feita em até duas horas de carro, será realizada em seis dias em lombos de cavalos, mulas e burros.
Essa é a quarta vez que a comitiva, criada em 2003, organiza a viagem. O cavaleiro Rodrigo Rosa conta que, o primeiro trajeto feito pela comitiva entre Reginópolis e Barretos em cima dos quadrúpedes, ocorreu após uma promessa de Ulisses Genaro Davilla. Na ocasião, sete pessoas aceitaram o desafio e seguiram viagem junto com dez animais.
“O Ulisses sofreu um acidente de moto e precisou fazer uma cirurgia na perna. Ele fez a promessa de que se tudo desse certo, ele ia fazer o percurso montado na mula. Como éramos amigos dele, resolvemos acompanhá-lo”, conta.
A idéia deu certo e, no ano seguinte (2004), a comitiva seguiu viagem com 16 pessoas e 20 animais. Em 2005, a comitiva “Cowboys da Madrugada” foi convidada para representar o Estado de São Paulo em dois desfiles da 50ª edição da Festa do Peão de Barretos. “Na ocasião fomos com 20 cavaleiros”, revela o também cavaleiro Vinícius Slaguinoufi.
Este ano, 28 pessoas seguem viagem, entre eles o filho de Ulisses, de três anos. “Serão 23 pessoas montadas nos animais e quatro ajudantes, responsáveis pelos equipamentos, comidas dos tropeiros, dos animais e também pelos medicamentos.”
O percurso de 178 quilômetros será percorrido em seis dias. A comitiva parte de Reginópolis às 9h do sábado (dia 22) e tem previsão para chegar à Festa de Peão de Barretos no dia 28, por volta das 14h. Por dia, os cavaleiros devem viajar entre 4 e 6 horas. “Nesse período, vamos nos hospedar em fazendas de amigos que cedem pasto e casa para todos”, conta Rodrigo.
Os cavaleiros seguem viagem na companhia de 40 animais, entre mulas e burros. Desse total, três são cargueiros e um deles leva a imagem de Nossa Senhora Aparecida. “O número de animais é maior do que o de cavaleiro para que possa ser feito o revezamento. Como andamos na beira de asfalto, exige-se muito do casco das mulas. Além disso, os equipamentos e o peso judia dos animais”, explica Vinícius.
No dia 29, a comitiva foi convidada para abrir o Concurso de Queima do Alho e o Concurso de Berranteiro. Na primeira disputa, várias comitivas do Brasil competem quem faz a tradicional comida dos peões com o melhor gosto – no cardápio tem arroz carreteiro, feijão tropeiro, paçoca de carne e carne seca serenada.
Já o Concurso de Berranteiro atrai amadores, profissionais e apreciadores da arte de tocar berrante. Os competidores precisam mostrar aptidão em diversos toques como de saída (soltura da boiada), estradão (toque repicado semelhante a um militar marchando), rebatedouro (aviso de perigo) e queima do alho (aviso do almoço). “Nossa comitiva tem como objetivo resgatar as tradições dos tropeiros e boiadeiros que tocavam o gado em cima de burros e mulas. Para isso, participamos de cavalgadas e festas de peão”, finaliza Rosa.