Se a cidade foi privada de festas-rodeios por decisões judiciais é porque coisa boa não deve ser. Análises técnico-científicas comprovam que o rodeio e todas as provas de laços não são boas para os animais, embora o sejam para empresários, pecuaristas, patrocinadores e peões.
O som altíssimo, a violenta condução do gado ao brete, os brutais treinamentos que antecedem as provas, os instrumentos que agridem os bichos, esses e outros fatores levaram à proibição desta atividade.
Pretende-se que Bauru seja um polo desenvolvimentista, mas as questões ético-ambientais devem acompanhar este desenvolvimento. A proibição de rodeios e animais em circo elevam cidades a um patamar mais civilizado. A decisão permitindo a volta do rodeio não nos causa estranheza. A arena das provas com animais é uma replicação da arena-Brasil: o público em volta assistindo a todo tipo de barbaridades. Pelo menos contamos com a visão crítica de bons jornalistas e chargistas - como o Fernando do JC - e como Luis Victorelli, que escreveu sobre o racismo e o especismo no JC, 5/8/09. Para quem não sabe, especismo (segundo o filósofo Paul Singer, no livro “Libertação Animal”) é o preconceito de alguém a favor dos interesses de membros de sua própria espécie e contra os de outras, neste caso, a exploração dos animais pelos humanos. Já que a maioria dos seres humanos é especista, falar disso já é um avanço.
Daiane F. Shirley