Madri - A Comissão de Investigação de Acidentes da Espanha, que analisa as causas da queda de um avião da Spanair em agosto de 2008 no aeroporto de Barajas, em Madri, afirmou ontem que não chegou a conclusões sobre o que causou o acidente que deixou 154 pessoas mortas. No entanto, foram identificados erros da tripulação e uma falha técnica.
Os investigadores ainda analisam porque a aeronave tentou decolar com os flaps na posição errada e porque o sistema de alerta na cabine falhou ao avisar os pilotos sobre isso.
A comissão já havia identificado esses problemas em um primeiro relatório, divulgado em outubro do ano passado.
O documento divulgado ontem diz que o gravador de voz da cabine identificou o co-piloto fazendo verbalmente a checagem de uma lista e verificando a posição dos flaps e dos slats do jato. Esses paineis móveis nas extremidades das asas dão à aeronave uma elevação extra durante a decolagem quando acionados.
No entanto, o texto diz que o avião decolou com esses equipamentos retraídos, de acordo com evidência física e informações do registro de dados do jato.
“A conclusão mais provável, portanto, é que os flaps e os slats não foram estendidos pela tripulação para a decolagem”, afirma o relatório.
Como o piloto puxou para trás o acelerador para decolar, o sistema TOWS deveria ter soado uma buzina e uma voz sintetizada na cabine. Mas os alertas não foram feitos. A comissão recomendou que autoridades da União Européia e dos Estados Unidos deveriam rever o design dos sistemas de alerta na decolagem.
Acidente
O avião MD-82 da Spanair se acidentou em 20 de agosto, ao decolar do aeroporto de Madri, com destino às ilhas de Gran Canaria, deixando 154 mortos, entre eles um brasileiro, e 18 feridos. As causas da tragédia ainda estão sendo investigadas por uma comissão internacional.
Era a segunda tentativa de decolagem do avião. Na primeira, a companhia aérea havia identificado uma falha em uma válvula de ar.