11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Em dois anos, Bauru deve ter 1 celular por habitante

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Artigo que se tornou cada vez mais indispensável no cotidiano das pessoas, o aparelho celular deve estabelecer uma marca recorde dentro de dois anos na grande região de Bauru. De acordo com projeções baseadas em dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a área 14, que abrange 100 municípios, deve chegar a um celular por habitante até 2011.

No último ano, a região registrou crescimento de 24,9% no número de celulares, o que a fez passar da 38ª para a 33ª posição entre as que possuem maior número de aparelhos por habitante. Para se ter uma idéia, o índice de telefones ativos em cada grupo de 100 moradores, chamado de teledensidade, era de 63,58 terminais em julho de 2008. No mesmo mês de 2009, a Anatel registrou a existência de 81,8 linhas para cada 100 habitantes.

De acordo com a entidade, são 1.889.205 telefones móveis em um território ocupado por 2.309.541 moradores. Se o ritmo de crescimento populacional e de aparelhos continuar o mesmo registrado nos últimos anos, em 24 meses haverá mais celulares do que pessoas na área 14, cuja maior cidade é Bauru. “Em meados de 2011, serão 2,791 milhões de terminais para 2,358 milhões habitantes”, calcula o economista Reinaldo Cafeo, considerando que o aumento percentual de aparelhos vem sendo superado a cada ano.

No entanto, a projeção não implica que todas as pessoas que vivem na região terão celulares até lá, já que, muitas vezes, um mesmo consumidor possui mais do que um terminal. “O celular corporativo, que a empresa distribui para os funcionários para ter economia com as ligações, está ganhando muito espaço. Mas, na maioria das vezes, o trabalhador também mantém o seu número pessoal”, comenta.

Multifunções

Para conquistar tantos adeptos, os celulares se transformaram em verdadeiras estações de comunicação, trabalho e entretenimento portátil, com câmara fotográfica, mp3 player, localização via satélite, rádio, jogos e Internet. Com isso, se transformou em um dos mais revolucionários objetos contemporâneos de consumo, facilitando a comunicação entre as pessoas, criando novos códigos de comportamento, reduzindo os limites da privacidade dos indivíduos e modificando, de maneira inédita, a forma de o ser humano relacionar-se à distância com seus pares.

E esta democratização só foi possível em razão da queda nos preços dos tcelulares - que, quando chegaram ao Brasil, há 19 anos, custavam pequenas fortunas – e do advento do sistema pré-pago, ainda responsável por quase 80% das opções de consumo no Estado de São Paulo.

“Mesmo sendo uma forma mais cara de usar o celular, a previsibilidade do gasto que o pré-pago oferece ainda é uma vantagem para as classes sociais mais baixas, que podem enfrentar dificuldades para conseguir pagar a conta no fim do mês no sistema pós-pago”, frisa Cafeo.

Além da popularização do aparelho, o economista salienta ainda dois fatores que contribuem para a alta teledensidade registrada na região de Bauru, onde foram habilitadas mais de 140 mil linhas neste ano – 20 mil por mês, ou 660 ao dia. Uma delas refere-se ao fato de a região ser altamente urbana e povoada, com municípios de economia bem desenvolvida como Marília, Lins, Jaú, Botucatu e Avaré.

Prova disso é que até mesmo regiões que abrangem capitais de Estado, como Aracaju (SE), Natal (RN), Maceió (AL) e Rio Branco (AC) não atingem a teledensidade alcançada por Bauru. Outro motivo apontado por Cafeo é o perfil econômico da cidade e dos municípios vizinhos, reconhecidamente voltados para o setor de prestação de serviços.

“Quem trabalha neste segmento tem uma necessidade de autonomia de comunicação maior. Na área de saúde, educação, advocacia e consultoria o aparelho celular é um instrumento de trabalho”, pondera. O argumento, por exemplo, pode ser a justificativa para o fato de a região de Sorocaba, voltada para o setor industrial e cuja cidade pólo é maior do que Bauru, ter teledensidade um pouco inferior à região de código de área 14 (de 81,23).