Nos primeiros 17 dias de agosto não choveu nenhuma gota em Bauru, o que era esperado para este mês, que historicamente é seco. Mas desde o dia 18, anteontem, não pára de chover. O acumulado do mês, até as 20h de ontem, já era de 62,2 milímetros. Com essa quantidade, este mês já é o agosto mais chuvoso dos últimos nove anos, período que o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) tem dados estatísticos. E a previsão é de mais chuva.
Tanta água causou transtorno no trânsito da cidade ontem, principalmente nas ruas de terra, uma situação atípica para esta época. “Tem muita lama, poça d'água nas ruas de terra. Em algumas linhas, os ônibus têm de mudar trajeto, relata Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, citando também que a chuvarada colocou em risco a ponte de madeira que liga o Parque das Nações ao Jardim América.
Por outro lado, Brito ressalta que a tromba d'água dos últimos dias resolveu o problema de baixa umidade do ar, que na sexta-feira passada chegou a 19%, índice de atenção. “Para saúde humana, está ótimo. Também evita incêndios, comuns nesta época do ano que, tradicionalmente é seca. E dá vida às praças e parques, que estão com a grama verdinha porque julho também foi chuvoso”, completa.
Para a agricultura, a chuvarada inesperada em agosto é comemorada por uns e motivo de preocupação e prejuízo para outros. “Essa chuva continuada é um problema para as culturas permanentes, como laranja, café e cana-de-açúcar porque impede a colheita e isso significa prejuízos. Para se ter uma idéia, por causa da chuva, apenas 34%, 40% da safra de café do Estado de São Paulo foram colhidas ao invés dos 90% esperados para época”, explica Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região.
Outro setor que também é prejudicado pelas chuvas continuadas é a horticultura. “Após três, quatro dias de chuva, as folhas das hortaliças começam a apodrecer. Se a chuva persistir, também danifica os legumes. Logo logo o consumidor vai sentir o resultado no preço, que tende a subir”, frisa. Mas para outros setores a chuva ajuda e muito. “Para a agropecuária, é altamente benéfica porque recupera as pastagens. A produção de leite praticamente não está tendo entressafra neste ano porque as pastagens não chegaram a secar. Estamos vivendo o inverno mais chuvoso dos últimos 60 anos”, frisa.
Além de pancadas fortes, houve queda de granizo em alguns pontos do município de Bauru ontem. Na Vila Industrial, Álvaro de Brito conta que caíram pedras de gelo do tamanho de ervilha, mas por pouco tempo e em pequena quantidade. No distrito de Tibiriçá também houve registro de granizo. “Mas em pequenas proporções, que não chegaram a causar estragos”, comenta o subprefeito do distrito, Édson Cavalieri.
Mais Chuva
E quem está esperando sol, terá de aguardar a próxima semana. Para hoje e amanhã, a probabilidade de pancadas de chuva em Bauru é de 50%, sem alteração significativa na temperatura. No sábado deve esfriar mais - a mínima prevista é de 11 graus - e a chuva dar uma trégua, mas voltará no domingo. De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), a probabilidade de chuva sobe para 70% no domingo e segunda-feira e para 90% na terça-feira. A chuvarada na região é resultado da atuação de uma frente no Estado de São Paulo.