Entre os meses de julho e agosto, curiosamente, escolas de samba também ganham a avenida. Desfilam suas fantasias e alegorias, entoam seus enredos e, claro, lutam pelo título de campeã. A maior diferença - e talvez, a única - dessa folia fora de época é que ela acontece nas telas dos computadores.
Apaixonados por Carnaval se unem na rede para participar de desfiles virtuais. Entre eles, está o carnavalesco da escola Azulão do Morro e do bloco Unidos do Samba, Cezar Augusto Hokamura, 21 anos. Destaque nos desfiles de 2009, promovidos pela Associação das Agremiações Carnavalescas Virtuais, o bauruense recebeu o prêmio de Carnavalesco Revelação pela escola Corações Unidos.
Segundo Hokamura, a realização do Carnaval virtual é uma maneira de suprir a vontade da folia enquanto fevereiro não chega. “Quem gosta de Carnaval sabe como é. Não dá para ficar sem. E essa é uma grande brincadeira, embora levemos muito a sério”, comenta o bauruense, responsável pela criação das fantasias e alegorias que a Corações Unidos apresentou no site Virtua Folia (www. virtuafolia.com.br).
Transmitidos ao vivo, os desfiles, assim como os “reais”, contam com comentaristas, jurados e a participação do público, que pode interagir por meio das arquibancadas virtuais, além das tradicionais alas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e velha guarda. “É tudo bem parecido com o Carnaval de verdade. Temos até a separação das escolas em grupos de elite e acesso”, explica o bauruense sobre a iniciativa, que existe há dois anos e já reúne mais de 30 escolas.
Hokamura conta que conheceu o projeto do site meio que por acaso. “Quando me deparei com essa história, achei que não tinha nada a ver. Como fazer Carnaval na Internet? Mas acabei me inscrevendo para conhecer e me chamaram para substituir um carnavalesco”, narra. “Vi que era muito legal, tudo bem feito e organizado e que tinha comprometimento. São pessoas que gostam mesmo de Carnaval”, completa.
Para ele, o desafio dos desfiles virtuais está em fazer com que as pessoas, realmente, sintam vida no que estão vendo. “Cada fantasia, por exemplo, tem que ser rica em detalhes. O jurado e o público tem que conseguir visualizar as animações como se estivessem em um desfile de verdade”, considera sobre o projeto, que inclui ainda lançamento de CD com os sambas-enredo.
Apesar das semelhanças, o carnavalesco diz que nada substitui estar na avenida “em carne e osso”. “O virtual é um complemento para matar a saudade mesmo, fazer amigos, trocar idéias e experiências com outros carnavalescos. As apurações e entregas de prêmios são realizadas em quadras de escolas de samba no Rio de Janeiro e isso permite um contato real entre os participantes. Mas um não substituiu o outro”, comenta.
É de olho no Carnaval que está por vir que Hokamura integra o bloco bauruense Unidos do Samba, criado neste ano com o intuito de ganhar a avenida em 2010, além da escola Azulão do Morro. “Descontentes com esse vai-não vai do Carnaval em Bauru, estamos nos mobilizamos para desfilar, no ano que vem. Já temos enredo e parte do figurino pronto. Também já conseguimos comprar todos os instrumentos do bloco com almoços que estamos promovendo”, adianta.
“Acho que esse é o caminho já que a prefeitura não tem recursos para bancar grandes festas à moda antiga. Com o Carnaval no descrédito o desafio agora é reconquistar a confiança”, finaliza.