08 de julho de 2026
Turismo

Porto de Galinhas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Porto de Galinhas é imbatível. Vem conquistando anualmente todos os troféus das revistas especializadas em turismo como o melhor destino de férias no Brasil. Mas o que tem esse lugar de tão especial, além das famosas piscinas naturais, formadas por arrecifes - as mais próximas da faixa de areia -, alcançadas em cinco minutos de jangada?

Por quê tanto fascínio a ponto de receber mais de um milhão de visitantes ao ano, mais do que Recife, a também maravilhosa Capital pernambucana?

Basta colocar os pés em suas areias finas como talco ou adentrar no mar ou em uma das piscinas dos resorts - o tamanho delas, somadas, é equivalente a quase dois gramados do Maracanã - para entender de imediato.

Tudo o que você sempre procurou para temporadas de relax junto ao mar está ali (e nos arredores). A água é verde-esmeralda, transparente, cristalina e quentinha, a “vilinha” oferece tranqüilidade de dia e agito à noite, há uma infinidade de hotéis e pousadas listados por guias confiáveis como o Quatro Rodas - o Nannai Beach Resort desponta por ter trazido a Polinésia para o Brasil -, areias macias, uma infinidade de coqueirais e lugares exóticos, rústicos e charmosos por perto.

Cabo de Santo Agostinho, Maracaípe, Calhetas, Carneiros, Cupe... Podem ser conhecidos de buggy, atravessando coqueirais e respeitando a área de desova das tartarugas marinhas (no Pontal de Maracaípe, alugue uma jangada e vá conhecer o habitat de cavalos-marinhos).

Muitos roteiros em um só lugar

Embora a hospedagem em alguns hotéis seja tão especial que muitos relutam em sair de sua área, uma viagem até Porto de Galinhas não se resume a esse roteiro. Como o balneário fica em lugar estratégico, num dos Estados mais acolhedores do País - Pernambuco -, oferece ao visitante a chance de mergulhar literalmente em sua cultura e história.

Além das praias já citadas, Recife e Olinda devem, necessariamente, fazer parte do roteiro (saiba mais detalhes em próximas edições). Assim como - dependendo do tempo de permanência na região - Maragogi (em Alagoas) e João Pessoa (Paraíba).

Você pode sair pela manhã e voltar à tardinha, sem atropelos. A distância é de 120 km a 140 km, no máximo, coisa vencida em uma hora e trinta minutos de carro.

Ponta a ponta

O passeio mais procurado por quem quer ficar em Porto de Galinhas ou na vizinha Muro Alto (é lá que ficam os resorts mais premiados), distantes apenas oito quilômetros uma da outra, vai dessa praia até o Pontal de Maracaípe. Como é proibido passar pela areia onde há desova de tartaruga, boa parte dele é feito pela estrada ou por dentro da área de coqueirais, cruzando-se condomínios luxuosos e as áreas dos hotéis.

A visão das piscinas dos resorts é fascinante. E tem um responsável por isso. Obra do paisagista Luiz Vieira, que desde 2000 vem projetando esses espelhos d’água - primeiro do Summerville (em formato de rio), depois do Nannai (recriando com pastilhinhas o mar da Polinésia, unindo os bangalôs sobre palafitas) e depois de outros resorts que foram brotando por lá.

O passeio ponta a ponta dura em torno de três horas em buggys com acomodação para quatro pessoas. Outros roteiros imperdíveis e próximos: ao norte para a praia de Calhetas e ao sul para a praia de Carneiros (também considerada uma das mais belas do Brasil), que podem durar o dia todo.

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De selvagem a top

O “boom” do turismo em Porto de Galinhas (que pertence ao município de Ipojuca) ocorreu há pouco mais de 20 anos. Até então, era apenas uma singela vila de pescadores conhecida apenas pelos moradores de Recife que, nos finais de semana, partiam para lá.

Um lugar de natureza selvagem e intocada, com piscinas naturais bem próximas da praia, com ruas estreitas de areia e uma ou outra barraquinha para lanche. Atualmente, um “desbunde”.

Porto cresceu rápido demais, demandando até mesmo obras de reurbanização, já que nos finais de semana seu centrinho fica caótico. Deixe o carro, deixe o buggy e caminhe.

Com quase 200 hotéis e pousadas, uma associação comercial organiza tudo, galerias, cafés, lojas de grife e bares da moda e restaurantes pontuados. O Beijupirá e a Birosca da Cachaça são apenas alguns indicados. No primeiro, não deixe de provar e aprovar o doce de jaca com sorvete de graviola, que ameniza qualquer calor.

Ou seja, o que era mato virou cidade e tudo se tornou muito próximo. Muro Alto, há coisa de dez anos era “longe pra caramba”, e hoje fica a “um pulo” por conta da estrada asfaltada como um tapete, que liga o Nannai e outros resorts à vila.

Por conta da infra-estrutura, calcula-se que Porto de Galinhas, Muro Alto e as vilinhas do entorno recebam mais de meio milhão de turistas ao ano, muito mais do que o número de pessoas que visitam Recife.