10 de julho de 2026
Internacional

Afeganistão: resultado oficial demorará

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Cabul - As autoridades eleitorais do Afeganistão começaram a contar, ontem, os votos da segunda eleição presidencial no país desde a queda do regime Taleban, em 2001.

O pleito, que foi cercado por medidas de segurança por parte das forças internacionais e afegãs, transcorreu sem grandes episódios de violência, apesar de ataques esporádicos atribuídos ao Taleban.

Mais de 300 mil homens, entre membros das forças afegãs e internacionais, fizeram a segurança do pleito.

Informações iniciais apontam que o comparecimento de eleitores nas urnas foi desigual, com uma participação mais alta no relativamente pacífico norte do país e menor no sul, mais violento.

A comissão eleitoral do país estendeu por uma hora o período de votação, e as urnas foram fechadas oficialmente às 17h de quinta-feira, horário local (9h30 no horário de Brasília).

Contagem

Os primeiros resultados parciais devem ser anunciados amanhã, mas os resultados oficiais só devem ser divulgados no dia 17 de setembro.

Caso nenhum dos candidatos à Presidência consiga mais de 50% dos votos, os dois primeiros colocados irão disputar um segundo turno.

O atual presidente afegão, Hamid Karzai, concorre a um segundo mandato contra dezenas de rivais, mas o candidato que parece ter mais chances contra ele é o ex-chanceler de seu governo, Abdullah Abdullah.

Durante a realização do pleito, alguns candidatos à Presidência fizeram acusações de fraude.

O candidato Ramazan Bashardost afirmou que houve irregularidades durante as eleições e que teria conseguido lavar a tinta supostamente indelével usada para marcar os eleitores que já votaram.

“Isto não é uma eleição, é uma comédia”, disse Bashardost, que pediu que o pleito fosse interrompido. A Comissão Eleitoral, no entanto, rejeitou as acusações.

Outro candidato, Ashraf Ghani, também afirmou que houve fraude em partes do norte e do sul do país.

Violência

Dezenas de ataques atribuídos ao Taleban foram registrados em diversas partes do país durante a votação.

Em uma coletiva após o fechamento das urnas, o presidente Hamid Karzai classificou as eleições como “um sucesso”, apesar dos episódios de violência.

“Ações subversivas foram empreendidas contra as eleições em 15 Províncias. De acordo com informações do Ministério do Interior, 73 incidentes foram registrados. (Mas) nosso povo não abandonou o voto em todas as partes, pelo contrário, mais pessoas participaram das eleições”, disse Karzai.

O enviado especial das Nações Unidas para o Afeganistão, Kai Eide, se disse “satisfeito” com as eleições, apesar dos incidentes.

“Houve incidentes dispersos aqui e ali, mas, no geral, parece ter corrido bem, e estou satisfeito com isso”, disse Eide a repórteres na capital, Cabul.

O governo afegão proibiu que veículos de imprensa nacionais e estrangeiros reportassem episódios de violência no dia das eleições, sob a justificativa de que isto poderia desestimular os eleitores.

Dois repórteres da BBC estavam entre os jornalistas detidos brevemente pela polícia de Cabul, na última quinta-feira, por violarem a proibição. Algumas fitas de videoteipe que estavam com eles foram confiscadas antes que eles fossem liberados.

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Apesar de ataques, Obama diz que votação foi um sucesso

Cabul - O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que as eleições provinciais e presidencial de ontem no Afeganistão parecem ter sido um sucesso, apesar dos incidentes de violência, que ele descreveu como esforços de militantes islâmicos talebans para perturbar a votação.

A eleição foi um teste para a nova estratégia de Obama para a região, que visa inverter os recentes sucessos do Taleban. As mortes de soldados americanos subiram nos últimos meses, mesmo com o aumento de efetivo, e pesquisas mostram o enfraquecimento do apoio do público americano à guerra.

“Tivemos o que parece ter sido uma eleição bem sucedida no Afeganistão, apesar dos esforços do Taleban para perturbá-la”, disse Obama em entrevista a uma rádio.