09 de julho de 2026
Geral

Gripe estende ano letivo até o Natal

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 4 min

Os 15 dias, em média, de prorrogação das férias de julho devido à gripe suína - Influenza A (H1N1) estão dando bastante trabalho para as instituições de ensino na hora de reorganizar o calendário escolar. Dentre nove escolas particulares de Bauru consultadas pelo JC, quatro ainda não haviam definido o calendário, três optaram por reposições e mantiveram a data das férias e duas resolveram repor aulas e prolongar os dias letivos até 22 ou 23 de dezembro. Pois é, tem gente que vai ficar estudando até quase a hora da ceia de Natal.

Graça Nazar, diretora de uma escola particular, disse que a instituição optou por estender o calendário para conseguir cumprir os 200 dias letivos, embora o Conselho Estadual de Educação tenha definido que as escolas devem cumprir o conteúdo sem, contudo, exigir a quantidade de dias previamente determinada pela Lei de Diretrizes e Bases.

“Teremos as aulas em vários sábados, coisa que não é normal até o segundo ano do ensino médio, e em alguns feriados para adequar o calendário aos 200 dias de aulas que o aluno tem direito de assistir. Suspendemos também uma semana de recesso que sempre temos em outubro e as aulas vão até dia 23 de dezembro”, diz.

Paulo Viegas, diretor de outra escola, que vai ter aulas até dia 22 de dezembro, ressalta que o ano de 2009 foi atípico. “Tivemos essa questão da gripe, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mudou e o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também. Agora, os estudantes e professores vão ter que trabalhar muito para pôr tudo em dia”, afirma.

Quem não ficou muito contente com a notícia foram os estudantes, que embora já estivessem entediados de ficar em casa sem muitas opções de atividades durante o prolongamento das férias, não gostaram da idéia de estudar até os últimos dia do ano.

“Eu estava louca para voltar para escola e encontrar meus amigos. Já estava cansada de ficar em casa dormindo ou sem fazer nada. Só que eu tenho dificuldade em matemática, então, provavelmente, vou ficar na escola até o dia 22. Isso vai atrapalhar a viagem que a minha família faz todo ano pra casa do meu tio, em São Paulo”, conta Amanda Fazzio Sanches, 13 anos, que está no 8.º ano do ensino fundamental.

Ana Lizie Carvalho, de 16 anos, também está preocupada com as férias da família. “Meu aniversário é dia 14 de dezembro e eu vou passar na escola. Também não vou mais viajar. Minha família ia para praia”, lamenta.

Além de atrapalhar os planos familiares para as férias, o prolongamento das férias e a extensão das aulas preocupam os vestibulandos que temem não ter tempo de estudar todo o conteúdo até a data das provas.

“Isso atrapalhou porque atrasou a matéria e agora vamos ter aula à tarde e aos sábados. Teve até um professor que falou que se a gente fosse estudar tudo como deve ser, as aulas teriam que ir até fevereiro ou março”, reclama Gabriel Covolan, 18 anos, que está no 3.º ano do ensino médio.

O colega Vitor Trentim, 17 anos, também se preocupa se estará pronto para a prova. “A matéria atrasou e a gente vai ter que correr para estudar, mas melhor isso do que pegar gripe suína”, comenta.

A opção da rede estadual de ensino de Bauru, com seus 39 mil alunos, foi a reposição dos dias perdidos por meio de aulas aos sábados. “Esta reposição compreende 13 sábados, sendo que começa amanhã (hoje) e vai até o dia 21 de novembro. O fim das aulas acontece no dia 18 de dezembro, como já era previsto”, explica Paulo Maximino, diretor regional interino de Ensino. Já os 22 mil alunos da rede municipal terão que esperar até segunda-feira quando haverá reunião para fazer a readequação do calendário.

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Apeoesp já reivindica hora extra na reposição

A Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) divulgou ontem um informe aos professores afirmando que todos os profissionais que fizerem reposições das aulas não dadas em função da determinação da Secretaria Estadual da Educação, que prorrogou as férias dos alunos devido à gripe suína - Influenza A (H1N1), poderão requerer, através do departamento jurídico da instituição, seus direitos relativos ao serviço extraordinário ou para a retirada de faltas caso opte por não fazer a reposição.

Consultada sobre o assunto, a Secretaria do Estado da Educação informou, por meio da assessoria de imprensa, que não serão pagas horas extras aos professores uma vez que durante o período de suspensão das aulas devido à gripe suína não foram feitos descontos nos salários dos profissionais.

Inalterado

A Secretaria Municipal da Saúde, através da Divisão de Vigilância Epidemiológica, informou ontem que os números referentes à gripe suína - Influenza A (H1N1) em Bauru não se alteraram de quinta para sexta-feira.

Sendo assim, a cidade registra, até o momento, 62 casos positivos da doença, dos quais 46 por exames e 16 por critério epidemiológico. Cinco óbitos foram confirmados pela doença no município. Vinte e três pessoas encontram-se internadas, sendo seis em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Vinte suspeitos ainda aguardam resultados de exames.