O Instituto de Pesquisas Meteorológicas/Unesp (Ipmet/Bauru) tem uma área de atuação de 450 quilômetros. Opera com dois radares meteorológicos, um instalado em Bauru e outro, em Presidente Prudente. Eles coletam dados de chuvas e vento sobre uma área que corresponde a 80% do Estado de São Paulo, atinge uma parte do Mato Grosso do Sul e Paraná. Ficam fora do raio de atuação o leste do Vale do Paraíba.
O pesquisador do instituto, Maurício de Agostinho Antonio, explica que, em pontos mais distantes, evidentemente, que a qualidade da informação vai ficando pior. “Porque a terra tem uma curvatura e os raios que o radar emite são na freqüência de microondas. A radiação emitida pelo radar não faz a curva e a medida que vamos nos afastando de Bauru ou de onde o radar está instalado, vamos conseguindo ver porções cada vez mais altas da atmosfera. Em determinado ponto passamos sobre as nuvens e deixamos de detectar qualquer tipo de precipitação.”
No limite de 450 quilômetros é possível detectar chuvas de todos os tipos, tempestades e ventos. Quando a possibilidade de chuva é zero, é sinal de estiagem.
Com a temperatura, a situação é diferente. É medida através de estações colocadas na superfície. “O campo de temperatura varia de uma forma mais lenta que a chuva. Por exemplo, você tem uma estação e mede uma temperatura média em Bauru e em Botucatu, a variação daqui para lá é de um ou dois graus. É possível prever geadas porque fazemos o acompanhamento da entrada da frente fria. Quando são coletados temperaturas baixas no Paraná, a gente sabe que o sistema meteorológico evolui, normalmente da região sudoeste/sul para norte/nordeste, passando por Bauru.”
O monitoramento de precipitação de chuva é preciso, garante o pesquisador. “Fazemos o monitoramento de precipitação a partir de Bauru e Presidente Prudente. A informação de chuva é feita em dados baseados na coleta daqui e acompanhamos aqui. São altamente precisos porque a temporaridade do dado é muito pequena. O dado se desgasta rápido. Não consigo fazer previsões para grandes períodos com informação de chuvas.”
Antonio frisa que, até duas horas de previsão se usa o radar, previsões para tempos maiores são feitas a partir de modelos matemáticos. “Que rodam em computadores, com uma informação inicial. O modelo se encarrega de dar previsões futuras. Menos precisas, as previsões podem ser de 12 horas, 24 horas de até 15 dias. A interpretação dos dados é feita pelo meteorologista que recebe o resultado.”
As informações do Ipmet servem inúmeros usuários, os principais são da área de agricultura, seguidos de companhias operadoras de distribuição de energia elétrica. “Eles recebem informações em tempo real, assim como usuários cadastrados. A Defesa Civil tem uma linha direta conosco.”