Saber se vai chover ou fazer sol é como determinar tarefas para o setor canavieiro. Se chove demais é hora de preparar o solo para o plantio e se não chove é bom para colher o produto. A previsão do tempo para o setor é importante porque só assim os lavradores podem investir naquilo que poderá ser feito nos próximos dias. Porém, as mudanças climáticas têm dado um verdadeiro “baile” no setor.
O engenheiro agrícola da Associcana, Denilson Heladio Vitti, disse que este ano a situação climática é totalmente atípica. “Está chovendo bem mais do que o normal. Nos anos anteriores a quantidade de chuva, nesta época era menor. Faz 65 anos que não tem uma média histórico na região de chuva nessa quantidade.”
Com tanta chuva, a temporada se torna boa para preparo da terra para o plantio de inverno. “O plantio de inverno estava programado para outubro e novembro, quando começam as primeiras chuvas. Essa cana vai nascer em janeiro/fevereiro, época que chove bem e o corte em setembro/outubro do ano que vem. Um ano depois.”
Agosto é mês de colheita, portanto de seca. “O plantio de verão acontece em fevereiro e março e a colheita vai de maio a novembro. Para colher é preciso pouca chuva.”
O excesso de água para a cana é sinônimo de ganho de peso e baixo teor de açúcar. “A plantação fica bonita, porém tem muita água na cana. Se tivesse mais sol, ela ficaria mais doce.”
A mudança não chega a influenciar no preço porque o peso acaba compensando a falta de açúcar, no momento da venda, explica o engenheiro. “Não perde no preço porque o valor é calculado pelo peso e pelo teor de sacarose. Teor menor significa que para produzir uma certa quantia de açúcar será preciso mais cana.”
Ele ressalta que com a previsão, o produtor sabe o que vai acontecer, então recruta pessoal para serviços específicos. “Se é plantio, tem um pessoal. Se é colheita, pode ser outro. Além de se municiar com adubos e fertilizantes, no caso do plantio. Este ano os tratos culturais estão favorecidos.” A quantidade de chuva pode até influenciar na produtividade do próximo ano, mas esbarra na falta de capital do produtor, frisa Vitti. “O produtor está descapitalizado por causa do baixo preço pago no mercado. Se ele usasse a quantidade suficiente nessa terra bem molhada, poderia aumentar a produtividade do ano que vem, mas pelo que estou observando a produção será a mesma ou algo semelhante.” A associação consulta o Climatempo diariamente para saber as previsões de tempo e avisa seus associados.