09 de julho de 2026
Nacional

Carros importados ganham espaço no mercado nacional

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Com a sobra de capacidade instalada da indústria automotiva pelo mundo e a queda nas vendas nos principais mercados, as montadoras instaladas no Brasil correm o risco de perder mercado para os carros produzidos lá fora, uma tendência que já começa a aparecer nas estatísticas do setor.

Em julho, a participação dos veículos importados no total das vendas alcançou 15,2%, ante 13,4% em junho e 12,5% em julho de 2008. Os números referem-se aos carros importados pelas próprias montadoras instaladas no país.

Enquanto as vendas de veículos nacionais caíram em julho, tanto em relação a junho como ao mesmo mês do ano passado, os emplacamentos de veículos vindos de fora tiveram alta de 7,8% e 20,5%, nessas comparações.

"Temos que ficar atentos daqui para a frente, porque existe, sim, um risco potencial. Em um primeiro momento, há uma perda na condição de competir nos mercados de exportação por causa do câmbio, e isso já está acontecendo. E no segundo momento pode haver uma presença maior de importados no mercado interno'', disse o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider.

Ele ressalta, porém, que a maior parte do volume dos carros importados hoje tem origem na Argentina e no México, países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais. "Nesse caso, há uma troca. Importamos com imposto zero, mas também exportamos para eles com imposto zero.''

No entanto, em termos percentuais, as importações de outras regiões também crescem de forma expressiva. De acordo com dados da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), em junho o volume importado de Ásia e Europa cresceu 47,57% e 46,64%, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado. Na mesma comparação, as importações do Mercosul cresceram 32,53%, e as do México caíram 6,25%.

Vantagens no Brasil

Por conta da apreciação do real (que torna os carros importados mais competitivos), a redução do IPI (benefício estendido também aos produtos vindos de fora) e a demanda aquecida, o Brasil aparece como mercado de exportação atrativo para outros países.

"Com o câmbio e o excesso de capacidade no mundo inteiro, há o incentivo para trazer produtos que estão sobrando para mercados que estão crescendo. E o Brasil é um dos poucos mercados domésticos que têm mostrado crescimento'', afirma Letícia Costa, vice-presidente da consultoria Booz & Company Brasil.

Alemanha, China, Índia e Turquia também registram expansão nas vendas.

Para ela, a relação custo/benefício fica mais favorável para o consumidor que escolher um carro importado.

De fato, os preços dos importados tiveram reduções expressivas nos últimos meses. Pelo preço de tabela, o Hyundai Tucson 2.0, fabricado na Coreia do Sul, sai hoje a partir de R$ 69.900 -em dezembro, o preço era de R$ 79.900.

O Azera, também da Hyundai, teve o preço reduzido de R$ 93.900 para R$ 75.900. Já o Audi A3 2.0, produzido na Alemanha, custa hoje R$ 117.514 -em dezembro, saía por R$ 125.600.

De acordo com Henry Visconde, presidente da rede Eurobike, que comercializa as marcas Audi, BMW, Land Rover, Porsche, Toyota e Volvo, a crise levou as montadoras a adotarem uma posição "mais agressiva na comercialização".

"Mesmo quando o dólar disparou, o valor dos carros não foi reajustado. As montadoras tiveram que administrar seus preços porque o mais importante agora é manter suas fábricas ocupadas. Por isso, têm que ter volume'', afirma Visconde. Segundo ele, boa parte dos modelos ainda é precificada com o dólar a R$ 1,60.

Segundo Marcelo Cioffi, sócio da PricewaterhouseCoopers, a tendência é que as importações sigam em alta nos próximos meses. "A indústria automotiva é globalizada. Ela vai focar onde há mercado consumidor. E o Brasil está na linha de frente", afirma.