10 de julho de 2026
Geral

Bauruenses disputam torneio profissionalizante no Canadá

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de muita preparação, três alunos da Escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru vão disputar um pódio no WorldSkills Competition, maior torneio de formação profissional do mundo. Eles, que vão representar o Brasil na competição com outros 24 estudantes do País, embarcaram na noite de ontem para Calgary, no Canadá, sede da competição. Fernando José Mangili Luiz, Arthur Colasso Camargo e Eduardo Bodini Santiago Júnior, todos com 21 anos, vão disputar provas nas áreas de desenho mecânico em CAD, polimecânica e instalação e manufatura de redes PC, respectivamente. O torneio será realizado de 1 a 7 de setembro.

O Estado de São Paulo enviou sete representantes ao torneio e o Senai de Bauru é a escola que mandou o maior número de estudantes. Outros seis Estados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Goiás, Rio Grande do Norte - e o Distrito Federal também estarão representados. Os competidores paulistas foram enviados à província de Alberta, sede da competição neste ano. Os jovens competirão com 900 estudantes de 50 países.

O Jornal da Cidade entrevistou os três competidores de Bauru momentos antes do embarque para o Canadá. “Estou bastante confiante. Foram três anos de dedicação exclusiva e agora chegou a hora”, diz Eduardo. Os estudantes enfrentarão quatro dias de provas, com um novo desafio em cada etapa.

Eduardo, que assim como os outros já superou a fase estadual e nacional da competição, está confiante. “A cada fase, o nível avança, fica mais difícil. E passamos bem nas outras eliminatórias. Mas a expectativa é de uma prova bastante difícil”, revela ele.

“Estou muito feliz. É uma grande realização para mim. São quase quatro anos de treinamento e a expectativa é boa, estou tranqüilo”, destaca Fernando. Ele ressalta que, para chegar na etapa mundial, o treinamento foi difícil. “Você tem que ficar bastante focado, ter muita vontade e concentrar-se no objetivo. Às vezes, dava uma vontade de parar, mas, apesar dos momentos difíceis, consegui superar”, afirma.

Ele afirma que não conhece seus adversários na categoria desenho mecânico em CAD, mas prevê uma disputa acirrada. “Acho que será bem difícil, um bom desafio. Mas fiz um treinamento forte para estar aqui”, afirma. Ele ainda não pensou no que fará depois da competição. “Quero continuar atuando na área. Mas vou ter tempo para pensar bem nisso quando voltar”, diz.

Já Arthur ressalta que, depois de três anos de treinamento em três períodos, dá para encarar os adversários em pé de igualdade. “A ansiedade é grande. São muitos anos de trabalho. Mas a expectativa é a melhor possível. Vamos para buscar o ouro”, adianta.

“É uma felicidade muito grande representar o País na competição”, destaca. Ele avalia que os principais adversários na sua categoria, a polimecânica, são Japão e Coréia. “Vou me esforçar bastante para tirar o ouro deles”, afirma.

Treinamento

Washington Luiz Bueno Silva, professor das disciplinas de desenho técnico, CAD, metrologia e projeto no Senai Bauru, treinou Fernando para a competição. “Dá para esperar muita coisa dessa competição. Eles estão bem preparados”, avalia.

Ele afirma que a expectativa para o desempenho de Fernando é a melhor possível. O professor destaca que o treinamento do estudante começou em 2005, após ele ser aprovado por uma seleção no Senai. Em 2005, Bauru ficou em 4.º lugar na categoria e, há dois anos, dividiu a terceira aposição com o Japão. “Queremos melhorar o nosso desempenho”, diz.

Para isso, ele conta que Fernando passou a treinar fortemente, baseado em três “pilares”: conhecimentos profundos em desenho técnico, mecânica e no software empregado. Com isso, espera que o pupilo atinja o pódio. “Estou com uma sensação de dever cumprido. Um pouquinho frustrado de não estar lá acompanhando o grupo, mas com as melhores expectativas’, diz.

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A competição

Realizado há mais de 50 anos, o torneio é promovido pela International Vocational Training Organization a cada dois anos. Seu objetivo é fomentar o intercâmbio entre estudantes ou jovens profissionais de várias regiões do mundo, que buscam o aprimoramento profissional por meio da troca de experiências e do contato com novas competências.

Desde sua estréia na competição em 1983, o Brasil foi representado pelo Senai e, a partir deste ano, passa a contar com o reforço do Senac. Na edição passada, a entidade conquistou duas medalhas de ouro, três de prata, quatro de bronze e sete certificados de excelência, ficando em segundo lugar entre 48 países participantes.

Antes de chegar nesta etapa, os alunos passaram por seletivas locais e estaduais e encararam uma maratona de treinamentos para reforçar a execução de exercícios teóricos com alto grau de dificuldade e adquirir domínio das tarefas práticas. Toda esta fase de preparação é complementada por acompanhamento nutricional, físico e psicológico.