Ao invés de festividades, protesto. O Dia dos Bancários, celebrado ontem, foi marcado por ato de protesto em frente à agência do Banco Santander, na rua Rio Branco, no Centro, usando tomates, inspiração na tradicional festa Tomatina, realizada na Espanha. Organizada pelo Sindicato dos Bancários, que representa cerca de 3.500 bancários de 41 municípios da região, o objetivo do ato foi demonstrar à população a insatisfação da categoria com as condições de trabalho e de salário e com a política brasileira.
Por volta das 10h30, representantes do sindicato se reuniram em frente ao Santander com um carro de som. Em uma das paredes do prédio, colaram fotos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Fernando Collor de Mello (PTB -AL), do presidente do Senado, José Sarney (PMDB - AP), e do presidente do grupo Santander, Emilio Botín, e jogaram tomates contra eles.
Não só os bancários participaram da “tomatina”, assim como quem passou pelo local na hora e quis engrossar o protesto. Segundo Carlos Alberto Castilho, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, o banco espanhol foi escolhido como palco do ato pelo alto índice de demissões, pela pressão por cumprimento de metas e alto número de bancários com doenças ocupacionais.
“É um dia muito triste para a categoria. Não temos o que comemorar, temos, sim, que lutar. A categoria sofre exploração, assédio moral, temos uma realidade triste”, afirma. “O que faz com que este dia seja de luto, de denúncia”, acrescenta. Castilho diz que o sindicato é contra o governo Lula, contra a atual política econômica, contra os sindicalistas ligados ao governo e aos banqueiros.
Atualmente, na região de Bauru existem cerca de 3.500 bancários. “Na década de 1980, éramos o dobro e atendíamos metade das pessoas que atendemos hoje, fato que gera sobrecarga de trabalho”, afirma. Ele explicou que o tomate foi escolhido como mote da manifestação devido à tradicional Tomatina realizada na região de Valência, na Espanha, país-sede do grupo Santander. “Isso é um desaforo. A Espanha, um país rico, que tira o dinheiro do brasileiro, faz uma Tomatina diante dos olhos de um País pobre como o Brasil”, finaliza Castilho. A reportagem do JC entrou em contato a assessoria de imprensa do grupo Santander, que preferiu não se manifestar sobre o protesto dos bancários.
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Salário
Os bancários estão em campanha salarial e querem 30% de reajuste salarial , reposição das perdas salariais que, segundo a entidade, chega a 50,49% para os funcionários do Banco do Brasil e 60,84% para os da Caixa Econômica Federal.
Também exigem Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 25% do lucro líquido distribuído linearmente, mais contratações, licença-maternidade de seis meses, estabilidade no emprego entre outras importantes reivindicações.