09 de julho de 2026
Cultura

Público comemora a volta do rock ao Vitória Régia

Por Karla Beraldo | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Oito bandas e oito horas de música marcam o retorno das tardes de domingo ao som de rock’n’roll no Parque Vitória Régia. Hoje e amanhã, das 16h às 20h, o parque recebe a festa de relançamento do Vitória Rock que, desde os anos de 1980, entre idas e vindas, reuniu milhares de roqueiros de Bauru e região.

De freqüentador a organizador do evento, Marco Dantas, funcionário da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), credita a retomada à grande demanda da cidade, tanto das bandas quanto de público amante do rock.

“O número de pessoas que recebíamos na secretaria pedindo a volta do Vitória Rock sempre fui muito grande e, finalmente, conseguimos fazê-lo. Contamos agora com a participação de todos os envolvidos com o projeto para consolidar a iniciativa”, comenta sobre os shows, sem realizações há três anos.

No Orkut, cerca de 1,5 mil pessoas movimentam comunidades com apelos para a retomada do evento. “Todos nós, roqueiros de todas as tribos, devemos ter o nosso local para curtir. Queremos o Vitória Rock de volta”, lê-se em uma delas.

De acordo com Dantas, a organização estima que mais de 10 mil pessoas passem pelo Vitória Régia, entre hoje e amanhã. “Vai ser uma oportunidade fantástica de reunir todas as pessoas que costumavam freqüentar o evento, da galera das antigas aos mais jovens, para curtir o clima gostoso que os shows têm”, convida para a festa, que lembrará ainda os 40 anos do Festival de Woodstock.

Sílvio Luiz Vieira, o Binho, seja do palco ou do público, participa da história do Vitória Rock desde 1987, e comemora a retomada do projeto. “Eram domingos muito bons. Já toquei lá com várias bandas e já pude ouvir muitas outras, como Língua de Trapo e a própria Made In Brazil, que toca amanhã (hoje) também”, recorda.

“Esse resgate vai possibilitar que a galera do rock se encontre, o pessoal das antigas vai poder interagir com os mais novos. O Vitória é um espaço que não pode ser subaproveitado”, afirma. “Agora, não podemos deixar de prestigiar os shows de forma consciente, torcer para que o fim-de-semana seja um sucesso e o evento se consolide”, completa o músico de 38 anos, integrante da banda Creme Rinse. “Vamos ficando mais velhos e o som, mais calmo. Mas rock’n’roll é rock’n’roll”, brinca.

Para Angélica Kodima, 19 anos, freqüentadora do evento desde 2002, o Vitória Rock proporcionava uma interação única entre o público, de onde até nasciam bandas. “Além de curtir o som dos grupos e conhecer bandas novas, conhecíamos muita gente. Às vezes, formava-se uma banda ali, com pessoas que acabávamos de conhecer”, recorda.

Para a estudante, o evento sempre foi referência para os roqueiros. “Me mudei para Bauru em 2002, quando comecei a ir no Vitória. Os shows atraiam pessoas de toda a região e sempre tinha bandas de qualidade. O sonho dos grupos, na época, era tocar no Vitória Rock”, afirma a jovem, natural de Gália.

A saída para as bandas e o público de rock, com o término do projeto, segundo Kodima, foi a busca por espaço nos bares. “Na época, foi difícil, não tinha muitas opções. Hoje, até tem bastante. Mas faltava um evento aberto, gratuito e com boas bandas”, finaliza.

Após a “festa de retomada”, a SMC pretende realizar o Vitória Rock inicialmente, no segundo domingo de cada mês, juntamente com a Feira Ubá, no palco fixo do anfiteatro.

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Dois dias de música

Do soft ao hard, o rock’n’roll dominará o Vitória Régia neste final de semana, ao som de bandas de Bauru e da região. A bauruense L’s é quem dá a largada para as oito horas de música, a partir das 16h de hoje. Na seqüência, o parque recebe o grupo O Leão, de Pederneiras, e A Ligha, que fez história nos anos 1980.

Destaque do evento, o show da Made In Brazil encerra o sábado. Na apresentação, a banda apresenta seu novo CD, “Rock de Verdade”, gravado depois de nove anos de jejum. O álbum é o 14.º na discografia do grupo e é composto por 12 canções inéditas, como “Festa na Pompéia”, “Me Abraça e Beija, e Larga a Cerveja” e “Queimo Pão de Queijo, Mas não Queimo a Rosca”, homenagem à banda Velhas Virgens.

Considerado um dos grupos de rock em atividade há mais tempo no País, a história da Made In Brazil começou em 1967, no bairro de Pompéia, em São Paulo, quando os irmãos Celso e Oswaldo Vecchione, apaixonados por rock, reuniram-se a alguns amigos para iniciar uma banda. Seu repertório começou - e segue até hoje - influenciado por nomes como Animals, Rolling Stones, Chuck Berry, Bill Haley. Muddy Waters.

Amanhã, será a vez das bandas Scarecrow - Avantasia Cover, Hardzia, Supersonica e Estereoterapia subirem ao palco, especialmente montado para o evento, e fecharem a festa.