Parque Vitória Régia transformou-se ontem em um mar negro. Jovens brotavam de todos os cantos do parque com suas camisetas pretas tendo como destino a área atrás das arquibancadas do anfiteatro, onde foi montado o palco para o retorno do Vitória Rock em Bauru.
O evento atraiu um público predominantemente masculino, mas muitas mulheres marcaram presença. E boa parte delas usando o figurino padrão dos roqueiros, ou seja, roupas pretas com estampas das mais variadas bandas de diferentes estilos dentro do rock, acompanhadas de tênis e cabelo comprido.
Foram dois dias de muita música para celebrar a volta daquele que não deveria ter ido (o Vitória Rock) e os 40 anos do Festival Woodstock, considerado um dos maiores momentos da história da música mundial. Quatro bandas no sábado e quatro bandas no domingo fizeram a festa dos jovens, adultos e idosos que curtem rock and roll e suas inúmeras vertentes.
Ao contrário das edições anteriores, o palco do Vitória Rock deste ano foi montado atrás das arquibancadas do anfiteatro Vitória Régia. Segundo o secretário municipal de Cultura, Pedro Romualdo, a mudança foi para atender as necessidades de uma das maiores atrações do evento, a banda Made in Brazil, a mais antiga banda de rock em atividade no Brasil. De acordo com o secretário, o palco do anfiteatro não era apropriado para receber os equipamentos da banda.
O casal de namorados Arilson do Carmo e Mayra Gomyde, que participaram das edições anteriores do Vitória Rock, estranharam a mudança. “Eu prefiro o palco original porque dá para acompanhar os shows sentado. Aqui, nós temos que ficar o tempo todo em pé”, observou. Fã da banda de punk rock Millencolin, Arilson elogiou a volta do evento.
Quem também aprovou o retorno do Vitória Rock foi Margarete Aparecida Rodrigues. Segundo ela, existe um público grande em Bauru que gosta de rock e que raramente tem a oportunidade de acompanhar gratuitamente shows desse estilo.
Para Caio Mendes da Silveira Cunha, o Vitória Rock nunca deveria ter parado. “Era uma das poucas opções que nós tínhamos na cidade, que deixou de existir. Espero que, depois dessa retomada, os eventos continuem sendo realizados”, disse.
Mas o festival não contou apenas com a presença de jovens. Maria Cândida Meira Leite, 51 anos, foi ao parque acompanhada da filha Erica, 16 anos, e da sobrinha Yasmin, 12 anos. Apesar do barulho, ela disse que estava achando tudo muito divertido. “Os jovens não têm muita opção de divertimento em Bauru. Então, quando aparecem eventos como esse é preciso prestigiar”, comentou.
O secretário Pedro Romualdo esteve ontem no evento e disse que a idéia é repetir o Vitória Rock a cada três meses. Para as próximas edições, o palco deverá voltar para o anfiteatro.
Se para alguns a volta do Vitória Rock foi motivo de comemoração, para outros foi de profunda lamentação. Especialmente os vizinhos do Parque Vitória Régia ficaram incomodados com o barulho produzido pelas bandas. De acordo a diretora de escola Nilda Moreira, é impossível assistir a um programa de TV dentro de casa quando as bandas estão tocando. Segundo ela, a “casa treme” por causa da altura do som.